O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, admite que não haverá mais tempo durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fechar um acordo multilateral na Organização Mundial de Comércio (OMC). Após a reunião de hoje em Genebra, quando fracassaram as negociações para a Rodada Doha, Amorim falou com Lula por telefone.

"O presidente Lula me disse: 'Celso, valeu a pena'", contou o chanceler.

Amorim, que dedicou grande parte de sua gestão para obter um acordo e ter a Rodada Doha como um de seus legados, sabe que ele mesmo não deverá ser o ministro quando o processo for concluído, se é que haverá um acordo. "Vai levar agora muito tempo para voltar ao jogo. Provavelmente com novas pessoas, novos jogadores. Essas pessoas virão com idéias, mas vai exigir avaliações novas", disse.

"Eu disse que a Rodada estava por um fio. O fio não segurou. É lamentável. Ouvimos apelos de países para que tentássemos ainda continuar. Mas acho que sou o mais velho e inocente. Eu seria o que mais apostaria num acordo. Fracassamos, mas, se eu fosse o técnico, substituiria os jogadores para ver se conseguiríamos um acordo. É inacreditável que fracassamos em apenas um ponto. Mude o time e tente de novo", afirmou Amorim.

Questionado se haveria tempo de fechar um entendimento ainda durante o governo Lula, Amorim não deu esperanças. "É só fazer os cálculos", disse. O governo tem mais dois anos de mandato. Em Genebra, as melhores previsões falam em mais de três anos para permitir que haja um acordo. "Vim concluir a Rodada. O Brasil fez tudo o que pôde", afirmou Amorim. "Minha avaliação é de que tínhamos um bom pacote e que seria bom para a economia mundial e para o Brasil. Estou muito desapontado", afirmou.

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