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A Petrobras Energia S.A.

A Petrobras Energia S.A., filial da estatal brasileira, aprovou ontem acordo de venda da refinaria que possuía na Província de Santa Fe, além de parte da rede de 360 postos de combustível. Os ativos foram vendidos por US$ 36 milhões à Oil Combustibles S.A., do empresário Cristóbal López, íntimo amigo do ex-presidente Néstor Kirchner e da presidente Cristina Kirchner. O processo de venda - que será concluído em 90 dias - depende da autorização dos organismos reguladores argentinos. Além dos ativos, a Petrobras vendeu à Oil Combustibles o petróleo existente na refinaria e derivados por US$ 74 milhões, num total US$ 110 milhões. Ficaram de fora uma unidade reformadora, além da moderna refinaria do porto de Bahia Blanca, na província de Buenos Aires, com capacidade de refinar 30,5 mil barris diários destinados a produtos de alto valor agregado e mais de 200 postos de gasolina vinculados. Esta refinaria está instalada em um ponto estratégico, próximo à bacia petrolífera da província de Neuquén. A Petrobras também manterá a exploração na plataforma marítima e outros investimentos. Para o ex-secretário de Energia da Argentina, Daniel Montamat, a venda está vinculada aos problemas que o setor de combustíveis teve no país nos últimos anos, sob o governo do casal Kirchner, que constantemente fez intervenções nos preços e nas condições de distribuição e abastecimento. "Na Argentina houve regras que mudaram muito, com aplicação de impostos para exportações, que acabaram colocando um teto ao preço do petróleo", afirma Montamat. Os analistas resumem os reveses que as empresas do setor padecem na Argentina como falta de previsibilidade e queda de rentabilidade. A Petrobras, presente desde os anos 90 na Argentina, ampliou de forma exponencial seus investimentos em 2002 com a compra da Pérez Companc (Pecom), a última empresa energética de capital argentino. López, originário da Província de Chubut, vizinha de Santa Cruz, terra natal de Kirchner, é chamado de "o czar do jogo" por amplos investimentos em cassinos. Suspeito de favoritismo em licitações de obras públicas, ele controla também empresas da área da construção civil, meios de comunicação, imobiliárias, uma fábrica de óleo de oliva, coleta de lixo, entre outras.

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