A mexicana América Móvil, controladora da Claro no Brasil e maior operadora de telefonia móvel da América Latina, disse acreditar que a região estará entre as primeiras a se recuperar da crise de crédito global que assola os mercados financeiros e ameaça empurrar grandes economias para a recessão. A América Móvil possuía 172,6 milhões de assinantes de linhas móveis em 16 países das Américas ao final de setembro.

"Embora a taxa de crescimento econômico possa ser afetada pelo ambiente internacional, nós acreditamos que a América Latina será menos atingida que outras regiões", disse o executivo-chefe da empresa, Daniel Hajj, em teleconferência para discutir o balanço trimestral da companhia divulgado ontem.

Hajj atribui a resiliência da região às finanças governamentais relativamente fortes, à inflação contida, aos superávits comerciais e aos sistemas bancários bem capitalizados. "São países que desejam e têm a capacidade de embasar uma boa parte de seu crescimento econômico na expansão de seus mercados domésticos", disse ele. O executivo disse que a empresa não estuda fazer nenhuma aquisição por ora.

A companhia disse que, no final de setembro, a taxa de penetração de serviços de telefonia móvel provavelmente tenha atingido 78% na América Latina e Caribe. No Brasil e no México, teria ficado em 75% e 71%, respectivamente.

"As taxas de penetração de serviços móveis ainda têm como crescer na América Latina. México, Brasil e Peru, que possuem juntos 325 milhões de pessoas, podem ver suas taxas de penetração subir em 15 pontos porcentuais nos próximos dois anos", disse Hajj.

O executivo reiterou a previsão de gastos com investimentos pela companhia de US$ 4 bilhões para este ano e disse que a maior parte dos investimentos pesados em sua rede já foi feita.

Hajj afirmou ainda que a companhia acelerou suas recompras de ações nos últimos três meses e irá provavelmente deixar de pagar um dividendo especial no final do ano com o objetivo de comprar mais ações. Durante os primeiros nove meses deste ano, as recompras de ações e os dividendos somaram cerca de 41 bilhões de pesos mexicanos (US$ 3,2 bilhões).

As ações da companhia acumulavam até ontem queda de 44,8% neste ano, em comparação com a perda de 36,9% do IPC, o índice da bolsa mexicana. As informações são da Dow Jones.

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