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América Latina não está imune a crise, segundo pesquisa FGV/IFO

SÃO PAULO - Os resultados da Sondagem Econômica da América Latina mostram que o Brasil não está imune à crise dos mercados, mas que tem condições de conviver com o cenário de turbulência global. A análise é da economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Lia Valls.

Agência Estado |

Divulgada nesta segunda-feira, a sondagem mostrou que o Índice de Clima Econômico (ICE) do mundo se posicionou, em outubro, no nível de 3,4 pontos, o mais baixo desde 1988.

As instituições consideram que índices com desempenho inferior a 5 pontos sinalizam clima econômico ruim. A pontuação registrada pelo ICE global é idêntica à mostrada pelo ICE latino-americano, que também atingiu 3,4 pontos. "Esse resultado do índice da América Latina mostra que, em virtude dos últimos acontecimentos, houve uma piora muito grande em relação às expectativas quanto aos rumos futuros da economia. Há um reconhecimento maior de que a América Latina não está imune a essa crise", considerou a pesquisadora.

Entretanto, o ICE do Brasil, em outubro, indica 5,8 pontos. Embora já tenha apresentado um nível mais elevado (6,2 pontos em julho), ainda está acima dos números registrados pelo mundo e pela América Latina.

Para Lia, o que está mantendo a pontuação do Brasil é a boa avaliação sobre a situação economia do País. "Era esperado que a inflação subisse mais ainda, porém isso não aconteceu", disse, lembrando que a crise levou a uma despencada nos preços das commodities agrícolas no mercado internacional.

Essa posição favorável do Brasil também é perceptível na projeção dos analistas para a taxa de crescimento médio do PIB no médio prazo (prazo de três a cinco anos). A economia nacional deve apresentar um crescimento entre 3,7% e 3,9%, de outubro de 2007 para outubro de 2008.

A economista comparou essa projeção com as estimativas referentes à economia latino-americana e à economia norte-americana. Para a primeira, a taxa de crescimento médio do PIB caiu de 4,1% para 3,1% no mesmo período; para a segunda, a taxa de crescimento também recuou de 2,8% para 1,5%. "Nesse período (de outubro de 2007 para outubro de 2008) houve notícias importantes para a economia brasileira, como fortes descobertas na área de petróleo, por exemplo. Os analistas levaram isso em consideração", avaliou.

Na análise da pesquisadora, o maior perigo para a economia brasileira é a restrição de liquidez. Caso a menor oferta de crédito e de recursos no cenário internacional perdure, o Brasil poderia caminhar para uma trajetória de recessão. "Não temos razão para acreditar em um cenário de recessão profunda na economia brasileira. Mas precisamos de capital estrangeiro. Nossa poupança doméstica é pequena, e nossas reservas têm limites", afirmou.

Ainda segundo a pesquisadora, o próximo resultado da pesquisa, que será referente ao quarto trimestre deste ano, pode mostrar uma visão mais otimista para o futuro da economia latino-americana. Isso porque vai incluir o bom humor dos analistas em relação à vitória de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos.

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