Rio de Janeiro, 22 mar (EFE).- A América Latina conseguiu superar a crise econômica internacional melhor do que outras regiões e deve ter um crescimento médio de 3% em 2010, disse hoje o diretor-gerente do Banco Mundial (BM), Juan José Daboub.

"A região conseguiu enfrentar bem as dificuldades. Todos enfrentaram problemas, mas a maioria soube usar as medidas que eram pertinentes e conseguiu se sair bem melhor do que em crises anteriores", afirmou Daboub em entrevista à Agência Efe no Rio de Janeiro.

O diretor-gerente admitiu que a recuperação "está sendo lenta", mas destacou que "a maioria dos Governos tomou as medidas adequadas".

Responsável pela supervisão das operações do BM na América Latina, África, Ásia e Oriente Médio, Daboub esclareceu que, apesar de a maior parte dos países ter conseguido superar a crise, há alguns das América Central e do Caribe que foram mais afetados e nos quais a recuperação será mais lenta.

Segundo Daboub, que foi ministro da Fazenda de El Salvador entre 1999 e 2004, a maior parte dos países da região adotou as medidas adequadas diante da crise porque tinha uma grande experiência com crises anteriores.

"A América Latina estava mais bem preparada em termos de reservas, de diversificação econômica e de uma maior consciência sobre os níveis de responsabilidade fiscal necessários", explicou.

"Como ficou demonstrado, os Governos da região puseram em prática as políticas fiscais e monetárias que pareciam mais sensatas e por isso o impacto não foi tão grave como em outras regiões do mundo", acrescentou.

De acordo com o diretor-gerente, as últimas previsões do BM para a América Latina apontam que a região crescerá 3% em 2010 e 3,5% em 2011.

Daboub sustentou que, enquanto a previsão de crescimento para os países em desenvolvimento é de 5,2% para 2010 e 5,8% em 2011, para os países desenvolvidos, é de 1,8% para este ano e de 2,3% para o próximo.

"O Banco Mundial está revisando os números antes de sua próxima reunião, estamos revisando praticamente a cada mês. Mas em todas as últimas revisões, as previsões para a América Latina foram modificadas levemente para cima", disse.

Em sua opinião, "isso significa que para a maioria dos países da região, com exceção dos da América Central e do Caribe, a recuperação parece ser um pouco mais acelerada".

Daboub reiterou que os países latino-americanos têm que começar a retirar as medidas de estímulo à economia adotadas para fazer frente à crise, mas recomendou que esse processo seja gradual para evitar um impacto social.

Segundo o diretor-gerente do BM, a instituição teve que triplicar a quantidade dos recursos concedidos como consequência das três crises enfrentadas nos últimos anos (alimentos, combustíveis e financeira) e do aumento no número de pobres no mundo em 64 milhões de pessoas.

Nesse sentido, acrescentou que 40% dos cerca de US$ 100 bilhões emprestados entre julho de 2008 e junho de 2010 terá como destino países da América Latina. EFE cm/bba

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