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A ameaça de boicotar a compra de minério de ferro da Vale, da Rio Tinto e da BHP foi recebida com descrença por analistas do setor

A ameaça da Associação Chinesa de Ferro e Aço (Cisa, na sigla em inglês) de boicotar a compra de minério de ferro da Vale, da Rio Tinto e da BHP por dois meses foi recebida com ceticismo por analistas do setor e pela própria imprensa oficial chinesa.

Apesar de formalmente representá-las, a entidade tem pouca influência sobre a operação dos negócios das siderúrgicas do país. Além disso, ela ficou desmoralizada em razão da maneira inábil com que conduziu as negociações para a definição do preço do minério de ferro no ano passado, que terminaram sem acordo, o que obrigou as empresas locais a pagarem mais caro pelo produto no mercado à vista.

Hu Kai, analista da Umetal, disse que não interpretou as palavras do secretário-geral da Cisa, Shan Shanghua, como uma proposta de boicote. Mas, ainda que fosse, as fabricantes de aço não acatariam a determinação, afirmou. "Essas siderúrgicas são empresas, e não departamentos do governo." O jornal oficial China Daily, editado pelo Conselho de Estado, publicou reportagem segundo a qual a diversificação dos fornecedores seria um caminho mais eficaz que o boicote para a contenção do preço do minério.

 Em reunião realizada na sexta-feira para discutir a regulamentação do mercado de importação de minério de ferro, Shan ressaltou que os estoques chineses do produto estão em 75 milhões de toneladas, o que seria suficiente para atender à demanda local por dois meses. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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