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Alta dos juros é sentida no varejo

A alta dos juros já afeta o comércio, mas de forma lenta, segundo avalia o técnico da coordenação de serviços e comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Reinaldo Pereira. A Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem, mostra que as vendas no varejo ficaram acomodadas em patamar elevado em julho, com leve queda de 0,2%, ante mês anterior.

Agência Estado |

Das dez atividades pesquisadas, quatro tiveram queda: hiper, supermercados e produtos alimentícios (-0,2%); tecidos, vestuário e calçados (-3,0%); equipamentos de escritório e informática (-1,7%); e livros, jornais e papelaria (-0,5%).

Na comparação com igual mês do ano passado, as vendas subiram 11%, acumulando alta de 10,6%, de janeiro a julho, e de 10,2%, em 12 meses. Segundo Pereira, ainda que os juros surtam efeito, somente uma redução nos prazos de financiamento ao consumidor poderá garantir perda de ritmo mais forte nas vendas, como é o objetivo do Banco Central.

Para ele, o índice de média móvel trimestral, considerado o principal indicador de tendência e que mostrou alta de 0,63% em julho, inferior a maio (0,99%) e junho (0,84%), aponta desaceleração. "O que pode estar influenciando esses resultados é a inflação dos alimentos e o aumento da taxa de juros", disse Pereira.

Segundo ele, a continuidade do cenário de aumento da massa salarial e da ocupação, com crédito forte e longos prazos pode segurar a desaceleração. "O consumidor está mais preocupado com o valor das parcelas."

Para Alexandre Andrade, analista da Tendências Consultoria, o crédito continuou impulsionando as vendas do varejo em julho. Para o restante de 2008, a expectativa é que ocorra "um arrefecimento das vendas no varejo por causa do aperto monetário em curso promovido pelo Banco Central".

Segundo Andrade, a partir de agosto, "começaram a surgir evidências mais nítidas de um aumento das exigências dos bancos na concessão de novos financiamentos, o que deve ter impacto maior em atividades como veículos, eletrodomésticos e eletroeletrônicos". A projeção da Tendências é de aumento de 9,3% nas vendas varejistas em 2008.

Mas o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, não acredita em desaceleração, pelo menos por enquanto. Para ele, até o fim do ano a demanda deverá continuar forte, com as vendas do varejo robustas. A perda de ritmo só ocorrerá no início de 2009.

As vendas do segmento de supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, de maior peso (cerca de 30%) na pesquisa do IBGE, continuaram mostrando resultados abaixo da média do setor em julho. Reinaldo Pereira atribui esse desempenho à inflação dos alimentos, que ainda estava elevada naquele mês. O segmento teve queda nas vendas (-0,2%) ante junho e aumento de 5,4% ante julho, menos da metade da taxa geral do comércio.

Por outro lado, ainda embalado pelo crédito, o segmento de móveis e eletrodomésticos cresceu 19,6% em julho ante igual mês de 2007, quase o dobro da média do varejo. "O crédito e as promoções continuam sendo os elementos básicos do bom desempenho dessa atividade", disse Pereira.

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