Está aberta, mais uma vez, a temporada de debates entre a Vale e as siderúrgicas. Enquanto a Vale anuncia um reajuste do minério que pode chegar a 100%, as siderúrgicas propõem altas entre 10% e 15%, alegando que o minério é um dos seus principais insumos.

Está aberta, mais uma vez, a temporada de debates entre a Vale e as siderúrgicas. Enquanto a Vale anuncia um reajuste do minério que pode chegar a 100%, as siderúrgicas propõem altas entre 10% e 15%, alegando que o minério é um dos seus principais insumos. Mas a briga, como em todo ano, está caindo na discussão sobre os impactos na inflação. A Vale encomendou um estudo da FGV para avaliar os efeitos de uma alta de até 120% no IPCA, índice referência para as metas de inflação. Os estudos mostraram que o impacto seria nulo. O estudo considera os reflexos nos próximos 18 meses. Segundo Roberto Castello Branco, diretor de Relações com Investidores da Vale, ainda que a alta tenha impacto nos produtos que utilizam o aço, como automóveis e eletrodomésticos da linha branca, "isso não é estatisticamente significativo", pois a participação no produto final é pequena. Alta absorvida. Mas há opiniões discordantes. Pelas contas da LCA Consultores, publicadas no seu monitor de inflação, o efeito da alta do minério no IPCA pode chegar aos 0,26 ponto porcentual no ano, quando considerado um aumento de 20% no aço. A consultoria, porém, afirma que essa alta já está em parte absorvida nas previsões, porque o mercado já previa um minério de 15% a 30% mais caro. O aumento na inflação estaria concentrado no 2.º semestre. Luis Otavio Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, calcula que "não existe impacto relevante do aumento do minério de ferro no IPCA". Mas a história muda quando se trata do Índice de Preços no Atacado (IPA), que compõe o Índice Geral de Preços (IGP-M). No IPA, o peso da alta pode chegar aos 2,59 pontos porcentuais; somando-se a ele o impacto do aço, de 0,53 pp. Consideradas as ponderações, isso acaba resultando em 1,89 pp de impacto no IGP-M, que sairia de 6% para 7% a 8% em 2010.
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