RIO - A alta de preços dos alimentos no atacado já exerce pressão sobre o varejo, com repasses rápidos para o consumidor no caso de alguns desses itens, segundo dados do IGP-DI, divulgados hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Em junho, o IGP-DI subiu 1,89%, ante 1,88% em maio.

Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, ressalta que o feijão voltou a subir em junho, com alta de 23,82% no atacado, depois de avançar apenas 3,89% em maio. Apesar de recuar 2,38% no semestre, a alta recente passou quase que instantaneamente para o varejo. Dentro do IPC-DI (Índice de Preços ao Consumidor, que tem peso de 30% no IGP-DI) o feijão carioquinha subiu 14,46% em junho, depois de recuar 7,76% no mês anterior. O feijão preto teve comportamento semelhante, ao acelerar de 1,90% em maio, para 7,80% em junho.

A alta do feijão é recente e chegou rápido ao varejo. O rapasse foi praticamente integral, frisa Quadros, lembrando que em 12 meses o feijão no atacado subiu 153,79%, enquanto no varejo o carioquinha avançou 128,82% e o feijão preto subiu 147,46%.

As carnes registram movimento semelhante. Em junho, a carne bovina no atacado subiu 9,47%, contra alta de 6,43% em maio, enquanto o aumento de preços da carne suína se acelerou de 2,47% para 5,41% em igual período. No varejo, a carne bovina pulou de uma alta de 3,97% em maio para um avanço de 8,05% em junho. Já a carne suína teve reajuste médio de 1,90% no quinto mês do ano, seguido de uma elevação de 3,40% no mês seguinte.

Quadros lembrou ainda que a soja também deve ter um impacto maior nos preços do varejo nos próximos meses. No IPA-DI (Índice de Preços por Atacado, que tem peso de 60% no IGP-DI) a soja passou de uma alta de 0,62% em maio, para um avanço de 10,17% em junho, impulsionada por problemas climáticos nos EUA que elevaram a cotação mundial do produto. No varejo, o óleo de soja saiu de uma queda de 6,36% e maio, para uma baixa de 0,89% no mês passado, enquanto o farelo de soja caiu 3,01% em maio e avançou 13,78% em junho. Há a crônica de uma alta anunciada para o óleo de soja refinado, afirma Quadros.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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