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Alta de preço derruba a venda do gás veicular

O preço do gás produzido no Brasil praticamente dobrou desde o fim de 2006, quando a Petrobras retirou os descontos e passou a reajustar o produto de acordo com as cotações internacionais. Especialistas apostam na manutenção da tendência de alta, que já fez sua primeira vítima: o consumidor de gás natural veicular (GNV).

Agência Estado |

Segundo dados da Associação Brasileira de Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), as vendas do combustível caíram 1,87% no primeiro semestre, interrompendo trajetória de grande crescimento nos últimos anos. Em Brasília, o presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, informou, ontem, que a queda no volume de vendas do GNV foi de 1,5% no primeiro semestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2007.

Segundo ainda Dutra, esse porcentual de queda não é apenas da BR, mas de todo o setor. "O preço do GNV subiu 14% no semestre. Isso, somado à queda no ritmo das conversões, fez com que as vendas caíssem", explicou.

No fim de 2006, a Petrobras cobrava US$ 4,62 por milhão de BTU pelo gás entregue às distribuidoras, incluindo custo do transporte e PIS/Cofins. No primeiro trimestre deste ano, o preço chegou a US$ 8,43 por milhão de BTU, alta de 82,5%. A companhia não informa, em seu site, os preços do segundo e terceiro trimestres deste ano, mas segundo a Abegás, os dois últimos reajustes acumulam 18,13%. O porcentual, porém, é aplicado apenas ao preço da commodity.

A alta até agora é explicada pela disparada dos preços do petróleo no mercado internacional, uma vez que o preço é reajustado de acordo com a variação das cotações de uma cesta de derivados no mercado internacional.

A consultoria Gas Energy acredita que o gás nacional pode atingir os US$ 12 por milhão de BTU até o fim de 2009. O aumento será escalonado, uma vez que os contratos firmados com as distribuidoras que compram apenas gás nacional - o que exclui as de São Paulo e da região Sul - contam com um "fator redutor" dos reajustes. O gás boliviano continua com reajustes trimestrais, mas hoje sai mais em conta: US$ 6,80 por milhão de BTU no 1º trimestre.

Quando retirou os descontos, a Petrobras justificou que teria de começar a recuperar os grandes investimentos em ampliação da oferta do produto. Na prática, o governo também queria conter o crescimento do consumo, que superava os dois dígitos, em função da escassez de novos projetos de produção ou importação de gás. De fato, segundo a Abegás, o consumo não-térmico no Brasil cresceu apenas 5,39% no 1º semestre de 2008, para 36,779 milhões de metros cúbicos por dia.

Pelo levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do GNV nos postos brasileiros subiu 26,88% entre dezembro de 2006 e a semana passada, chegando a R$ 1,600 por litro, enquanto o preço do litro do álcool era de R$ 1,462.

Apesar disso, o GNV ainda tem pequena vantagem sobre o derivado da cana-de-açúcar: considerando autonomia de 12 quilômetro por m³, o GNV está custando hoje R$ 0,13 por quilômetro. Já o álcool, que roda em média oito quilômetro por litro, sai a R$ 0,18 por quilômetro. As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Leonardo Goy

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