BRASÍLIA - O processo de elevação do juro pelo Comitê de Política Monetária (Copom) terá seu efeito máximo no início do próximo ano, embora deva começar a agir sobre os preços ainda no final de 2008, reiterou, hoje, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. O compromisso, diante das medidas que estão sendo tomadas hoje, devido ao processo de defasagem, é fazer a inflação convergir para o centro da meta em 2009, disse Meirelles. O Copom tem reunião na semana que vem e boa parte dos analistas espera novo aumento de 0,5 ponto percentual na taxa básica Selic.

Após audiência no Senado, ele não quis responder, diretamente, se a autoridade monetária abandonou a meta de 2008 e se isso significaria que a inflação pode estourar o teto previsto para este ano, de 6,5%. O mercado está fazendo as suas previsões e estamos monitorando atentamente, afirmou Meirelles sobre a última pesquisa Focus, na qual o mercado já projeta 6,48% para o IPCA deste ano.

As medidas de política monetária começam a funcionar imediatamente pelo canal das expectativas, mas elas têm um efeito cumulativo e atingirão seu efeito máximo já em 2009.

Pouco antes, o presidente do BC citou que no caso de 2008, houve um choque externo que está previsto no sistema de metas de inflação. O choque é o aumento internacional do petróleo e dos alimentos, razão pela qual no Relatório de Inflação de junho a autoridade monetária elevou sua previsão de inflação neste ano para 6%.

O que está acontecendo neste ano é algo previsto e, para isso, existe o intervalo de tolerância de dois pontos percentuais, que podem permitir que a meta de 4,5% seja elevada até 6,5%, continuou ele. O nosso compromisso é trazer a inflação o mais baixo possível, concluiu.

Durante a explanação trimestral que faz à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Meirelles voltou a dizer que o aumento da meta de superávit primário ajuda no combate à inflação e qualquer ajuda é bem vinda. Ele reiterou, porém, que o governo já se comprometeu a aumentar a economia para o pagamento de juros da dívida, ao elevar a meta de superávit primário de 3,8% para 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo que a parcela adicional de 0,5% do PIB irá para a constituição do Fundo Soberano do Brasil.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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