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BRASÍLIA - A alta dos juros e da inflação teve pouco efeito na composição da dívida pública interna no primeiro semestre do ano. Em junho, a despeito das expectativas sobre o novo aumento da taxa básica Selic feito na quarta-feira pelo Banco Central (BC), o estoque de papéis federais pós-fixados (LFT) chegou a apresentar redução mensal.

Não foi observada nenhuma mudança significativa na demanda do mercado, informou o coordenador-adjunto de operações da dívida pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido.

De acordo com os dados divulgados hoje, o estoque da dívida cresceu R$ 23 bilhões neste ano, atingindo R$ 1,247 trilhão em junho, ante R$ 1,224 trilhão em dezembro de 2007.

A participação dos pós-fixados fechou o semestre em 37,32% do total, quando se inclui as operações com contratos de swap do BC, operações nas quais a autoridade monetária paga a variação da Selic contra a variação cambial. Houve incremento de apenas 0,69 ponto percentual no período sobre os 36,63% que esses títulos representavam no estoque ao fim do ano passado.

Em maio, essa parcela da dívida era de 38,35% do total, tendo havido, portanto, um recuo de 1,03 ponto percentual em junho. Segundo Garrido, a queda mensal ocorreu em função de resgate superior às emissões de LFT no mês. Venceram R$ 22 bilhões, mas o Tesouro só ofertou R$ 8,87 bilhões.

Já os papéis atrelados a índices de preços cresceram 1,64 ponto percentual na participação total no semestre. Representavam 26,26% do estoque em dezembro de 2007 passando a 27,9% em junho de 2008.

Garrido minimizou o impacto da elevação da Selic ontem pelo BC, em 0,75 ponto para 13% ao ano, nos títulos da dívida interna do governo federal. "A gente não vai observar um salto, porque a apropriação de juros é diária e residual", afirmou.

O prazo médio da dívida interna total subiu de 36,47 meses ao fim do ano passado para 39,07 meses em junho deste ano. A parcela de curto prazo a vencer em 12 meses caiu de 28,3% do total em maio para 27,41% em junho, segundo informou o Tesouro.