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São Paulo, 31 - O aumento expressivo dos custos de produção deve pressionar a margem do produtor paranaense na safra 2008/09. Como reflexo da alta, em especial dos fertilizantes, o agricultor deve frear a expansão da área com milho e soja, além de reduzir os investimentos em tecnologia no ciclo atual, aponta análise do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar).

Com base em levantamento realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Ocepar aponta que a disparada dos preços de fertilizantes - superior a 100% nas principais fórmulas utilizados no Estado - deve corroer parte da rentabilidade registrada na safra 2007/08. O resultado é que a participação deste insumo no custo de produção deve ficar em 29% na soja, 26,5% no trigo e 17,5% no milho.

A projeção da Ocepar mostra que a alta dos preços dos insumos resultou em aumento de 26% para o trigo e implicará em incremento de 21% para a soja e 24% para o milho, que começam a ser cultivados no Estado a partir de outubro.

"Nós usamos os dados da Conab para fazer uma projeção na safra 2008/09. A análise mostra que a situação de rentabilidade não deve ficar abaixo dos valores registrados na safra 2007/08", afirma o analista técnico da Ocepar, Cassiano Bragagnolo.

Impacto

O analista da Ocepar explica que a soja é a cultura que deve sofrer menor impacto na safra 2008/09, uma vez que mesmo no cenário mais pessimista, com preço de R$ 42 por saca de 60 quilos, o produtor ainda conseguiria uma rentabilidade de R$ 7 por saca. Na projeção mais otimista, a cooperativa aponta manutenção da rentabilidade praticamente estável em relação à safra passada, de R$ 17 por saca.

A situação é diferente para o milho, cultura que demanda mais investimentos em fertilizantes nitrogenados, na qual os preços recebidos pelo produtor deverão ficar muito próximos dos custos operacionais. "No milho pode haver um empate entre custo e o preço do grão", afirma Bragagnolo. Na projeção mais otimista, a rentabilidade ficaria em R$ 4 por saca.

No estudo, a Ocepar aponta ainda que o produtor de trigo recuperou parte da competitividade, por conta do aumento dos preços no mercado interno e externo nos últimos 30 dias.

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