SÃO PAULO - Após um período longo de relativa facilidade para controlar a inflação, os bancos centrais mundiais terão agora que tomar medidas restritivas de política monetária para evitar a continuidade da escalada de preços, avaliou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Segundo ele, os economistas apelidaram o período entre o início da década de 1990 e meados de 2007 como a era da grande moderação, já que as economias cresciam com inflação baixa, mesmo com juros reduzidos. Ao longo desses anos, o desenvolvimento econômico da China e da Índia contribuiu para manter a inflação mundial sob controle, graças à incorporação maciça de tecnologia da informação e de mão-de-obra barata ao processo produtivo. A China e, em menor escala, a Índia, exportavam deflação para o resto do mundo, disse Meirelles em discurso na conferência O Impacto do Brasil na Economia Global.

Mas esse cenário mudou nos últimos dois meses, segundo ele. Tudo indica que esse ciclo chegou ao final, afirmou, citando o aumento dos preços das matérias-primas por conta do descompasso entre oferta e demanda e também o aumento do custo da mão-de-obra na China.

Agora, segundo Meirelles, os bancos centrais vivem em um ambiente mais complexo e desafiador. Ainda de acordo com ele, mesmo que cada banco central esteja respondendo a esse processo de acordo com as peculiaridades nacionais, a necessidade de preservar a estabilidade de preços continua na ordem do dia.

Para ele, a inflação nos países desenvolvidos está mais relacionada com a alta dos preços das commodities, enquanto nos países emergentes, incluindo o Brasil, o componente de pressão de demanda tem tido papel relativamente mais importante.

Segundo Meirelles, há consenso entre os BCs mundiais de que a economia global está superaquecida e que ela precisa crescer a taxas mais moderadas. Isso, segundo ele, fará com que as taxas de juros subam de forma geral, ainda que em ritmo e tempo diferentes em cada país ou região.

Mas ele garante que o BC brasileiro não vai esperar uma atuação coordenada. O Banco Central do Brasil não vem esperando, nem irá esperar que outros bancos centrais atuem para combater a alta da inflação, afirmou, aproveitando para criticar os analistas que discordavam das ações do Comitê de Política Monetária (Copom) quando o órgão iniciou o processo de elevação dos juros no começo do ano. Os fatos mostram que essa atitude complacente (defendida por alguns analistas) teria tido conseqüências deletérias para a economia.

(Fernando Torres | Valor Online)

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