Em Carta de Conjuntura, instituto diz que tendência é de preços mais controlados até o fim do ano

Nos primeiros três meses do ano, uma disparada na inflação fez com que o mercado ficasse temerário com relação à pressão sobre os preços. A atividade econômica em ritmo acelerado fez com que as vozes ecoassem na defesa de uma retomada forte no ciclo de alta de juros. Foi o que aconteceu. Passados seis meses, entretanto, a avaliação pode ser outra: a alta da inflação no início do ano estava, em sua maior parte, associada à pressão dos alimentos.

“Boa parte da dinâmica do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) durante os últimos meses esteve, quase sempre, associada à variação de preço dos alimentos”, diz o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), na Carta de Conjuntura de junho, divulgada hoje.

O Ipea lembra que no primeiro trimestre do ano, além dos aumentos sazonais característicos do período, as fortes chuvas de verão afetaram as colheitas e geraram elevações no custo do frete, já que várias estradas do País foram danificadas.

“Desta forma, com o fim da entressafra e dos efeitos climáticos negativos sobre a produção, os alimentos tendem a apresentar uma trajetória mais bem comportada para o restante do ano. Nota-se, ainda, que a ausência de problemas nas safras de grãos nos demais países produtores, aliada a uma
demanda internacional sem sinais de aquecimento, não deve pressionar os preços das commodities agrícolas em 2010”, completou o Ipea.

Na avaliação do instituto, a inflação deve sofrer pressão no grupo dos serviços, o que deve fazer com que os índices se mantenham próximos da estabilidade nos próximos meses. “Em momentos como o atual, em que se verifica uma manutenção da renda real, a população acaba aceitando pagar um pouco mais pelo serviço oferecido por um estabelecimento ou prestador da sua confiança do que se arriscar e optar por uma mudança, sem saber ao certo se o resultado ficará a contento.”

“Esta resistência dos preços dos serviços deve manter a variação deste subconjunto em patamares próximos aos observados nos últimos meses, com alguma tendência de baixa”, completou o Ipea.

Atividade econômica

Na visão do instituto, até o fim do ano, há indícios de que a atividade econômica desacelere. “Tanto na indústria, quanto em alguns setores do comércio varejista, já há sinais de desaquecimento em relação ao resultado do primeiro trimestre”, disse. Por outro lado, alerta o Ipea, ainda estão presentes na economia a maioria dos fundamentos que explicaram o bom desempenho do PIB no segundo trimestre de 2009.

“Sendo assim, é importante avaliar até que ponto essa desaceleração é nada mais do que uma acomodação para um patamar de crescimento mais compatível com a capacidade de oferta da economia, ou se existem fatores que possam vir a comprometer o ciclo atual.”

O Ipea também espera que o mercado de trabalho mantenha o ritmo observado nos seis primeiros meses do ano, mesmo com a perspectiva de uma desaceleração da atividade econômica. Para o instituto, o desaquecimento “não deve ser suficientemente forte para afetar de forma expressiva o comportamento do emprego”.

Da mesma forma, deve se manter a tendência de valorização da taxa de câmbio, o que vai pressionar o saldo comercial da balança. “Embora as vendas externas ainda registrem crescimento, este último sofre com as limitações decorrentes da forte concentração da pauta exportadora em produtos básicos”, afirmou. Por outro lado, aquecimento da atividade econômica doméstica, câmbio valorizado e incertezas no âmbito da economia internacional constituem combinação propícia à ampliação do ritmo de crescimento das importações líquidas na economia brasileira”, completou.

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