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Os alimentos abandonaram o posto de vilões da inflação - tiveram deflação de 0,25% em setembro e foram os principais responsáveis pela desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor - 15 (IPCA-15) de 0,35% em agosto para 0,26% neste mês. Apesar do recuo, os reajustes de preços em serviços como aluguel, condomínio e água pressionaram os não-alimentícios, cujo maior ritmo de altas preocupa economistas.

Ao contrário dos alimentos, o grupo dos não-alimentícios teve uma pequena aceleração, com alta de 0,41%, ante 0,38% em agosto. O IPCA-15, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é uma espécie de prévia do IPCA, índice referência para as metas de inflação do governo. Os dois indicadores diferem apenas no período de coleta.

O IPCA-15 de setembro veio pouco acima da mediana das expectativas dos analistas do mercado financeiro, de 0,23%. Gian Barbosa, analista da Tendências Consultoria, disse que esperava recuo mais forte dos alimentos, o que não ocorreu por causa, especialmente, da pressão dos preços de refeição fora do domicílio (1,13%). Ele destacou que os demais preços, sobretudo vinculados a serviços, "não mostraram um desempenho tranqüilo".

O economista Adriano Lopes, do Unibanco, explicou que as principais pressões de preços no IPCA-15 foram dadas por produtos mais sensíveis ao aquecimento da demanda, sobretudo os vinculados a serviços. Para ele, é possível que ocorra uma nova aceleração de preços no quarto trimestre.

A mesma perspectiva para o fim do ano foi revelada em documento da LCA Consultores assinado pelos economistas da instituição, para quem "a diluição de pressões inflacionárias segue lenta e irregular". Apesar das incertezas, a avaliação é de alguma aceleração nas altas de preços no quarto trimestre com posterior desaceleração, gradual, em 2009.

Em setembro, a maioria dos produtos alimentícios teve deflação, com destaque para tomate (-38,41%), leite pasteurizado (-4,48%), batata-inglesa (-8,84%), feijão carioca (-4,24%), pão francês (-1,08%), óleo de soja (-4,08%), arroz (-1,67%%), macarrão (-1,50%) e feijão preto (-2,76%).

Mas, mesmo com a queda, o grupo de alimentação e bebidas acumulou alta de 10,52% no IPCA-15 no ano. Entre os produtos do grupo de alimentos que tiveram aumento, além da refeição fora do domicílio, estão frutas (3,70%), cerveja (1,30%) e cebola (6,11%).

Entre os não-alimentícios, as principais pressões ficaram com cigarro (3,67%), telefone fixo (0,85%), empregado doméstico (0,94%) e taxa de água e esgoto (1,05%). Subiram também aluguel residencial (0,62%), condomínio (0,66%), produtos de higiene pessoal (0,90%), artigos de limpeza (1,66%), cabeleireiro (1,06%) e gasolina (0,30%).