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Alimentos puxam maior desaceleração do IGP-10 desde janeiro de 2003

RIO - Os alimentos, vilões da alta de preços nos sete primeiros meses do ano, foram os principais responsáveis pela maior desaceleração registrada no Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10) desde janeiro de 2003. Entre julho e agosto, o IGP-10 passou de 2% para 0,38%, desaceleração de 1,62 ponto percentual, menor apenas que os 2,58 pontos percentuais observados entre dezembro de 2002 e janeiro de 2003.

Valor Online |

Dentro do Índice dos Preços por Atacado (IPA) - que passou de 2,54% em julho para 0,25% este mês - as matérias-primas brutas passaram de alta de 4,54% em julho para queda de 1,87% em agosto. Dentro desse grupo, a baixa foi puxada pelos produtos comercializáveis, que passaram de avanço de 9,98% para recuo de 6,35% no mesmo período.

O comercializável de maior destaque foi a soja, que passou de uma alta de 12,88% no mês passado para baixa de 6,51% agora, contribuindo com 1,06 ponto percentual da desaceleração do IPA. De acordo com Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV), o produto respondeu por 0,62 ponto percentual, ou 35%, da desaceleração do IGP-10 em agosto. Sozinha, a soja tem peso de 5,85% no IPA.

Outros comercializáveis que apresentaram queda em agosto foram o trigo, que caiu 10,88% depois de recuar 3,60% em julho, e o milho, que passou de uma alta de 6,93% para uma queda de 3,73% este mês. Ainda dentro das matérias-primas brutas, os bovinos subiram 0,72%, depois de um avanço de 11,15% em julho, e o leite in natura recuou 3,25%, depois de uma queda de 0,21% no mês passado.

Entre os bens finais, a batata inglesa caiu 6,06% em agosto, o feijão recuou 7,90%, a banana teve variação negativa de 1,83%, a carne bovina caiu 0,32%, o leite industrializado recuou 2,96%, o óleo de soja refinado registrou queda de 3,87% e as massas alimentícias cozidas retrocederam 0,87%.

Para o IGP como um todo, posso dizer que o pior já passou, mas para os produtos alimentícios é mais difícil dizer isso. Acho que a situação que provocou a alta dos alimentos não está completamente equacionada, frisou Quadros. No caso da indústria, há razões para que não se repita o pior, acrescentou, lembrando que os produtos agropecuários passaram de uma alta de 4,66% em julho para -1,98% em agosto, enquanto os industriais passaram de 1,71% para 1,13% no mesmo período.

O comportamento dos alimentos também colaborou para a desaceleração do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que passou de 0,65% para 0,36% entre julho e agosto. O quesito alimentação, que havia avançado 1,56% no mês passado subiu apenas 0,13% agora. Dentro desse grupo, o arroz e feijão passaram de alta 9,42% para queda de 0,18%, a elevação da carne bovina desacelerou de 7,48% para 1,15%, e a variação de preços dos laticínios saiu de 1,03% positivo para 0,09% negativo.

No curto prazo, a desaceleração da alimentação do varejo deve continuar, já que há pressões de baixa que ainda deve chegar vindas do atacado, ressaltou Quadros.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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