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Embalada por alimentos mais baratos, a segunda prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de agosto apresentou queda de 0,12%, após a alta de 1,79% em igual prévia em julho. Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), que anunciou ontem o indicador, foi a menor taxa em mais de dois anos, bem mais baixa que a da primeira prévia do índice, anunciada há duas semanas, de taxa negativa de 0,01%.

O resultado acalmou as expectativas do mercado financeiro. É o caso do diretor-adjunto de Economia e Riscos de Mercado do Banco Cooperativo Sicredi, Paulo Barcellos, cuja instituição reduziu a previsão para o índice do mês. "Esperávamos estabilidade para a taxa anunciada hoje. Como veio bem mais baixa, revisamos automaticamente o cômputo mensal. Estávamos trabalhando com 0,10% de alta para o mês e agora passamos a prever uma variação negativa de 0,02% para o IGP-M."

O analista da consultoria Tendências, Gian Barbosa, também modificou suas estimativas para o índice. "As últimas divulgações referente aos Índices Gerais de Preços (IGPs) e a continuidade do recuo das cotações das commodities motivaram a revisão de -0,10% para -0,23% da nossa projeção para o IGP-M de agosto", afirmou.

O coordenador de Análises Econômicas da FGV, Salomão Quadros, admitiu que há uma "boa chance" de o IGP-M de agosto fechar com deflação. Mas disse não acreditar que, caso o índice realmente fique negativo, isso represente o início de um ciclo de deflações nos IGPs. "Não estamos vivendo um cenário de deflação", disse. "O que está ocorrendo agora é que os preços dos produtos agropecuários estão procurando um patamar de equilíbrio."

Ele explicou que os preços dos alimentos subiram muito nos últimos meses, tanto no atacado quanto no varejo, em razão da demanda forte e da oferta reduzida. "Os produtos agrícolas estão passando, agora, por uma espécie de ajuste."

Esse ajuste levou a uma queda de 3,86% na inflação dos itens agropecuários, dentro do setor atacadista, na segunda prévia de agosto, ante alta de 3,83% em igual prévia em julho. Os preços no atacado também entraram em trajetória de deflação (de 2,28% para -0,44%) e foram decisivos para a queda na segunda prévia. O setor atacadista responde por 60% do total do IGP-M.

Houve quedas expressivas nos preços das commodities, como soja (-11,23%); milho (-8,93%) e trigo (-13,26%), e de itens agrícolas importantes, como tomate (-22,92%). "No setor agropecuário, no atacado, podemos dizer que houve um cenário de quedas e desacelerações de preços generalizadas", afirmou Quadros.

Os preços dos alimentos para o consumidor também entraram em queda (-0,34%) e foram responsáveis pela despencada da inflação no varejo, que foi reduzida para menos da metade (de 0,54% para 0,21%). Na construção civil, a inflação teve leve desaceleração (de 1,34% para 1,32%) por causa da queda no custo da mão-de-obra.

Até a segunda prévia de agosto, o IGP-M em 12 meses está em 13,87%. Até a primeira prévia, era de 13,99%. Quadros observou que o índice se aproxima das projeções dos analistas ouvidos no Boletim Focus do Banco Central (BC) para as taxas anuais dos IGPs em 2008, que giram em torno de 11%.