O Brasil não pode de forma alguma desrespeitar contratos na questão da exploração do petróleo da camada pré-sal, disse hoje a jornalistas o vice-presidente da República, José Alencar, após participar de evento realizado para comemorar os 40 anos da revista Veja. De acordo com ele, é preciso valorizar a Petrobras, que foi fundada em 1953 e que tem um conhecimento muito grande sobre o tema.

"A Petrobras alcançou um patamar de conhecimento tecnológico que é de fazer inveja no mundo inteiro, principalmente na exploração de óleo em águas profundas", destacou.

Alencar evitou opinar se é contra ou a favor da criação de uma nova estatal para gerir os recursos provenientes da exploração do pré-sal. "A forma que se vai explorar é muito simples: seguindo a orientação da Petrobras", afirmou.

BNDES

Alencar defendeu a atuação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na concessão de financiamentos para diversos setores produtivos, o que vem viabilizando uma parte expressiva da expansão do nível de atividade do País. "Não sei o que seria dos investimentos se não fosse o BNDES. Talvez, se não fosse a instituição, o Brasil poderia estar enfrentando dificuldades de oferta de produtos e não de demanda", afirmou.

Sobre os empréstimos concedidos pelo BNDES é cobrada a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), atualmente em 6,25% ao ano. Em comparação, a Selic, taxa básica da economia, está em 13% ao ano, ou mais do dobro da TJLP.

Inflação

Alencar defendeu também um ajuste fiscal e não a alta do juro para combater inflação. "Não comungo com a idéia de que o juro seja objeto de combate à inflação no Brasil. Combate à inflação se faz com equilíbrio fiscal, equilíbrio orçamentário", afirmou a jornalistas. Na avaliação de Alencar, o orçamento do País não é equilibrado justamente por causa da rubrica dos juros. "Estes juros são despropositados."

De acordo com cálculos do vice-presidente, o Brasil gastará R$ 1,2 trilhão com o pagamento de juros nos oito anos do governo Lula. "Nos primeiros quatro anos, já gastamos quase R$ 600 bilhões, mas eles (juros) têm subido", comparou. Ele avaliou que o País precisa desses recursos para investir em educação, infra-estrutura e na própria exploração de petróleo da camada pré-sal na Bacia de Santos. "Estes recursos estão sumindo por meio dessa rubrica, mas ninguém fala dela", enfatizou.

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