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Alencar: crise é séria, mas no Brasil é diferente

O vice-presidente da República, José Alencar, afirmou hoje que a crise mundial de crédito é muito séria, atingiu os mercados dos Estados Unidos e da Europa e, obviamente, o Brasil pode sofrer (as conseqüências). Fez, porém, a ressalva de que considera a situação brasileira bem diferente, porque, segundo ele, os bancos brasileiros não trabalham com a alavancagem (endividamento) com que trabalham os bancos dos países europeus e dos EUA.

Agência Estado |

Nesses países, disse, há casos de "mais de 30 a 40 vezes a alavancagem do patrimônio líquido dos bancos."

Após participar, no Congresso, de solenidade de comemoração dos 20 anos da Constituição, Alencar afirmou, em entrevista, que a crise mundial é "de confiança - ou de desconfiança no sistema bancário". No entender do vice, porém, o sistema bancário brasileiro "está muito bem, está capitalizado e não trabalha com os abusos que aconteceram nos EUA." Por isso, afirmou, o Brasil tem condições de passar pela crise sem grandes problemas.

Ele previu que no Brasil não faltará dinheiro, porque "o próprio governo já tomou providências de reduzir o compulsório (dos bancos), para colocar mais recursos à disposição e aumentar a liquidez do sistema. "O Brasil está em condições de fazer a travessia e nos levar a porto seguro."

Inflação

Alencar advertiu para a necessidade de que o Orçamento da União seja equilibrado, para se evitar inflação. Em conversa com jornalistas, Alencar, em resposta a uma pergunta sobre eventual necessidade de cortes no Orçamento em razão da crise externa, respondeu que "a responsabilidade começa com a rubrica de juros altos, e eles têm que cair."

"A rubrica orçamentária mais importante do Orçamento é a dos juros básicos, com que o Brasil rola sua dívida. Existe um Orçamento de receita e despesa que precisa ser equilibrado. O que queremos é uma administração fiscal absolutamente segura, capaz, para que o Brasil conviva com um Orçamento equilibrado. O desequilíbrio orçamentário é a grande causa de inflação. Então, a responsabilidade começa com essa rubrica de juros altos. Têm que cair."

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