O vice-presidente da República e presidente em exercício, José Alencar, disse hoje que acredita que o Brasil, ainda que sofra conseqüências inevitáveis, está em uma situação excelente e vai sair muito bem da crise financeira internacional, apesar da política monetária. Na opinião de Alencar, as elevadas taxas de juros impedem que o governo faça um efetivo corte de gastos públicos.

Segundo ele, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria mais musculatura para enfrentar a turbulência global e poderia ter economizado cerca de R$ 300 bilhões se nos primeiros quatro anos não tivesse adotado uma política monetária "equivocada".

Para o vice, a simples redução da taxa básica de juros representaria "uma economia brutal". "Muita gente fala: 'Precisamos fazer redução de gastos'. A rubrica relativa aos juros com que nós rolamos a nossa dívida representa os maiores gastos no orçamento de despesa da União. Justamente aí é que nós temos que começar, porque ali nós vamos fazer economia, temos espaço para fazer economia grande. E não cortar recursos na área da educação, na área da saúde, do saneamento, das estradas, dos investimentos", afirmou Alencar, durante visita a Belo Horizonte.

"Não precisávamos ter gasto R$ 600 bilhões para rolagem da dívida nos primeiros quatro anos de governo, podíamos ter gasto a metade. E mesmo assim estaríamos praticando, do ponto de vista real (descontada a inflação), a taxa mais alta do mundo".

Alencar considerou que a decisão dos governos europeus de promover o socorro do sistema financeiro no bloco já arrefeceu o perigo de uma crise sistêmica. "A crise de confiança está amenizada". O vice, no entanto, acredita que o Brasil possui condições excepcionais para atravessar a "crise gigantesca", com o argumento de que o governo nunca a subestimou.

"Desde o primeiro momento, o governo fez questão de recomendar atenção especial das autoridades do campo econômico para com a crise, para evitar que ela alcance o nosso País. E tudo indica que o Brasil, ainda que sofra algumas conseqüências, como seria inevitável, vai sair muito bem dessa crise", afirmou. "Estamos hoje mais do que nunca preparados para aproveitar esse bom preço das commodities (matérias-primas) do mercado internacional. O Brasil possui muita terra, água, sol, de forma inigualável em relação aos outros países. E, portanto, o Brasil tem condições naturais e econômicas para vencer e continuar crescendo".

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