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Alemanha rejeita idéia de Sarkozy de criar fundos soberanos europeus

A Alemanha rejeitou nesta quarta-feira a proposta de criar fundos soberanos nacionais para proteger as indústrias européias lançada no Parlamento Europeu pelo chefe de Estado francês, Nicolas Sarkozy, que também é presidente interino da União Européia (UE).

AFP |

O ministro da Economia, o conservador Michael Glos, rejeitou a idéia de Sarkozy, poucas horas depois de este tê-la proposto na terça-feira em Estrasburgo (leste da França).

Isso "contradiz todos os princípios de uma política econômica coroada pelo êxito", disse Glos, enquanto que um comunicado oficial da chefia do governo alemão insistiu que a economia alemã é sólida e "não precisa de outras medidas de proteção" além das já existentes.

Nenhum outro país europeu reagiu até agora com a mesma veemência que os alemães à proposta de Sarkozy, que teve sua importância minimizada nesta quarta-feira por um porta-voz da chancelaria de Berlim, Thomas Steg, que a classificou simplesmente como "estímulo à reflexão".

"Vamos esperar para ver quais idéias serão discutidas nas instâncias européias", acrescentou Steg.

Berlim já ressaltou em várias ocasiões a presença cada vez maior dos fundos soberanos estrangeiros, chineses ou árabes, por exemplo, nas empresas alemãs.

Mas antes de se dotar de um fundo, a Alemanha adotou há alguns meses uma nova lei que autoriza o governo a examinar as participações de mais de 25% de investidores estrangeiros em alguns setores estratégicos do país.

Berlim deseja "limitar o máximo possível" a aplicação dessa lei para não assustar os investidores estrangeiros.

"A Alemanha segue aberta aos capitais de todo o mundo", disse Glos na quarta-feira.

O exemplo de empresas como a Daimler, da qual o fundo soberano do Kuwait é o único acionista estável e que nunca registrou problemas, não incita as autoridades alemãs a erguer novas barreiras.

Em geral, desde que eclodiu a crise financeira em setembro, a Alemanha tenta conter a França e a intensificação das atividades que Sarkozy exerce na qualidade de presidente da UE.

Sarkozy teve que superar a resistência de Berlim para obter a adoção de medidas coordenadas em apoio ao setor bancário em meados de outubro, em Paris.

A chanceler alemã, Angela Merkel, pouco inclinada a possíveis gastos a 11 meses de eleições legislativas nas quais estará em jogo sua reeleição, rejeitava a idéia.

A desconfiança da Alemanha em relação ao ativismo do presidente francês não é recente, e a imprensa alemã se referia a ele nesta quarta-feira como um "francês seguro de si mesmo", "bola de energia" (Financial Times Deutschland), que "defende acima de tudo e com furor seus próprios interesses" (Süddeutsche Zeitung) e "tão eufórico com sua capacidade de ação nas últimas semanas que já não conhece limites" (Die Welt).

mtr/dm

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