lista negra de paraísos fiscais - Home - iG" /
Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Alemanha pressiona para ter Suíça na lista negra de paraísos fiscais

GENEBRA - A Suíça deve ser colocada numa lista negra internacional de paraísos fiscais. A proposta foi feita pela Alemanha ontem, aumentando a pressão sobre a praça financeira helvética e ameaçando outros centros financeiros que vivem graças a evasão fiscal.

Valor Online |

" A Suíça oferece condições que atraem os contribuintes alemães a praticar evasão de imposto " , acusou o ministro alemão de finanças, Peer Steinbrück. Um dos maiores centros mundiais de gestão de fortuna, a Suíça não considera crime o dinheiro originário de evasão fiscal depositado em seus bancos.

" A concorrência fiscal desleal às custas de outros não pode ser rentável para nenhum Estado nem centro financeiro " , destacaram ministros de 17 países em comunicado, após uma reunião em Paris da qual desistiram de participar Suíça, Áustria e Luxemburgo, todos com fortes segredos bancários.

O ministro de orçamento da França, Eric Woerth, ameaçou com retaliação os países que recusarem troca de informação fiscal.

Atualmente, cerca de 50 países ou territórios são considerados paraísos fiscais, mas a lista negra da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tem hoje apenas três nomes: Mônaco, Liechtenstein e Andorra. Até a Libéria foi retirada da lista, depois de ter prometido cooperar.

O combate pelo desmantelamento desses chamados " buracos negros " das finanças internacionais tomou outra dimensão com a crise nos mercados e a desaceleração econômica que pesa sobre as finanças públicas dos países industrializados.

Ao mesmo tempo em que enchem os cofres dos bancos com bilhões de dólares, os governos sentem o peso da ação desses centros financeiros, onde a França estima estarem depositados centenas de bilhões de dólares originários de fraude fiscal.

Pelas estimativas da entidade Transparência Internacional, os paraísos fiscais abrigam 400 bancos, dois terços dos 2 mil fundos especulativos ( " hedge funds " ) e 2 milhões de empresas de fachada, representando US$ 10 trilhões.

" O desaparecimento desses buracos negros deve ser o prelúdio da refundação do sistema financeiro internacional " , afirmou o primeiro-ministro francês François Fillon, refletindo o endurecimento contra os paraísos fiscais.

Além da Suíça, Áustria e Luxemburgo, o Panamá, Gibraltar e Bahrein, Cingapura e Hong Kong são acusados de não colaborar com as autoridades fiscais de outros países.

A Alemanha quer reforçar mecanismos de controle de bancos e companhias de seguros com filiais nos centros financeiros offshore. De uma parte, o direito fiscal deve ser mais rigoroso em relação ao país ou território que não respeitar princípios de transparência da OCDE. A exoneração fiscal de dividendos não se aplicará à renda obtida nesses países, e o poder de investigação das autoridade alemães aumenta.

A Suíça não pune a evasão fiscal. Quem esconder dinheiro do imposto e depositar nos bancos no país, não estará sujeito a punição. O governo suíço só dá assistência aos outros países para os casos em que os outros governos provarem que o dinheiro foi roubado dos cofres públicos, por exemplo.

A reação dos suíços ontem foi calma. A Associação dos Banqueiros Suíços destacou que, pelos critérios da OCDE, o país não é um paraíso fiscal.

" Somos uma praça financeira internacional da mesma maneira que Nova York ou Londres " , afirmou um porta-voz.

Enquanto isso, o UBS, um dos bancos europeus mais afetados pela crise do " subprime " , sofre um processo nos Estados Unidos num caso de fraude fiscal, que pode levá-lo a revelar os nomes de seus clientes americanos que depositaram cerca de US$ 20 bilhões ao abrigo do fisco na Suíça.

(Assis Moreira | Valor Econômico)

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG