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Alemanha investiga Siemens por pagamento de propinas, inclusive no BR

O Ministério Público de Munique revelou com exclusividade ao jornal Estado de S.Paulo que abriu um processo para investigar supostos pagamentos de propinas pela Siemens também no Brasil.

Agência Estado |

Hoje, a empresa foi condenada pelos tribunais norte-americanos a pagar US$ 800 milhões em um caso em que é acusada de corrupção.

Nos EUA, a empresa admitiu ser culpada pelo pagamento de propinas no valor total de US$ 1,36 bilhão. O dinheiro não era usado apenas para corromper funcionários públicos norte-americanos, mas também era enviado para pagar comissões a funcionários públicos de vários governos, com casos em Bangladesh, Israel, Rússia, Venezuela e Argentina. O objetivo do dinheiro era garantir que contratos públicos ficassem com a Siemens.

Segundo Hildegard Baeumler-Hoesl, procuradora do estado da Baviera, os fluxos de dinheiro da empresa para o Brasil também estão sendo investigados e há "fortes suspeitas" de que pelo menos 8 milhões de euros foram usados no País em pagamentos de propinas.

O processo em relação ao Brasil estaria apenas em Munique e não teria feito parte do caso nos Estados Unidos. A troca de informações entre os ministérios públicos, porém, foi intensa.

Ela confirmou que existem suspeitas de que esses 8 milhões de euros possam ter sido usados para o pagamento de propinas em negociações de contratos públicos de fornecimento de tecnologia no Brasil. "Temos informações sobre o fluxo de 8 milhões de euros em direção ao Brasil. Estamos investigando para saber a que serviram esses milhões de euros", disse a procuradora. "O que temos são informações sobre o fluxo de dinheiro para duas pessoas privadas. Mas queremos saber agora para que fim esse dinheiro foi transferido ao Brasil", afirmou a alemã.

O MP alemão ainda investiga fluxos de dinheiro no Uruguai. "Queremos saber qual foi o destino final desses recursos. Ainda não temos uma resposta clara", disse Baeumler-Hoesl.

No caso americano, que contou com estreita colaboração dos investigadores de Munique, a Siemens admitiu ser culpada pelo pagamento das propinas e aceitou um acordo. A conclusão da investigação apontou que US$ 1,36 bilhão foram usados para favorecer a obtenção de contratos públicos entre 2001 e 2007.

Além do pagamento da multa de US$ 800 milhões, o acordo ainda prevê que um consultor independente irá averiguar com ainda mais profundidade os contratos da Siemens nos Estados Unidos. Mas a empresa alemã poderá continuar concorrendo às licitações de obras públicas no país e nenhum de seus executivos será processado criminalmente. Para o Departamento de Justiça, o caso de corrupção da Siemens é o maior em "magnitude" jamais visto pelas autoridades americanas por parte de uma empresa estrangeira.

A conclusão da Justiça americana é ainda de que a empresa pagou propinas para obter contratos de transporte na Venezuela e Rússia, além de usinas de energia em Israel e redes de telefonia celular em Bangladesh.

No total, a conta da Siemens já chega a US$ 1,6 bilhão em pagamentos de multas nos Estados Unidos e Alemanha. Três executivos também já foram condenados em Munique nos últimos três meses pelo pagamento e organização de distribuição de propinas em todo o mundo.

Outro lado

Em Munique, a sede da Siemens foi procurada pelo Estado de S.Paulo e confirmou que "apóia toda a investigação" sobre os casos de pagamentos de propinas. Segundo o porta-voz da empresa, Jorn Roggenbuck, "uma investigação interna e compreensiva está também ocorrendo". Mas questionada sobre as investigações em Munique em relação a pagamentos no Brasil, Roggenbuck admitiu que "não poderia comentar ou dar detalhes".

"A Siemens está interessada em um esclarecimento independente e total sobre o assunto", afirmou Roggenbuck. "Estamos apoiando todas as investigações e temos confiança nos resultados do processo", disse.

A Siemens chegou a publicar no começo do mês um relatório aos acionistas sobre o que está fazendo para apurar a situação e informar sobre o que existe nos tribunais de Munique. A estratégia da empresa é a de demonstrar que o pagamento de propinas seria uma prática de uma outra administração.

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