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Alemanha, Grã-Bretanha e Austrália pedem mais tempo para Doha

GENEBRA - A Alemanha, maior exportador mundial, a Austrália, um dos maiores exportadores agrícolas, e a Grã-Bretanha pediram ao diretor-geral da Organização Mundial do Comercio (OMC), Pascal Lamy, 48 horas de prazo para de novo tentarem alguma aproximação entre os Estados Unidos e a Índia para salvar a Rodada Doha de um novo fiasco. A chefe do governo alemão, Angela Merkel, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, telefonaram a Lamy prometendo contatar o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro indiano, Mammoud Singh, para mais uma tentativa.

Valor Online |

Foi por isso que Lamy disse aos países que não convocaria uma reunião ministerial ainda este ano, ? "desde que alguma coisa dramática ocorra nas próximas 48 horas".

O embaixador americano Peter Allgeier, em todo caso, foi incisivo, transmitindo a mensagem de Washington de que não é prudente tentar acordo antes de o presidente eleito, Barack Obama, tomar posse no dia 20 de janeiro.

Segundo fontes na OMC, o que fez realmente capotar a tentativa de acordo agora foi o persistente confronto entre os Estados Unidos e Índia sobre salvaguarda especial na área agrícola, que os indianos exigem, e a questão do acordo setorial na indústria, do qual os americanos dizem não abrir mão.

Mesmo a China indicou que poderia aceitar algum compromisso sobre setoriais, desde que não fosse o país único a fazer isso.

Em entrevista, Lamy considerou que um dos pivôs do novo fiasco, em torno de acordos setoriais, foi provocado por razão politica e não econômica.

Os Estados Unidos pressionaram para que Brasil, China e India se comprometessem com a negociação obrigatória de pelo menos dois acordos setoriais, para eliminação ou redução acelerada em certos produtos industriais específicos.

Os três emergentes reagiram, acusando os americanos de quererem mudar as regras do jogo. O ministro Celso Amorim foi especialmente incisivo hoje em Genebra, acusando os Estados Unidos de " ? ganância" ? , com demanda "excessiva" para a industria pagar por um acordo.

Mas para Lamy, não havia razão realmente econômica para um confronto tão forte, indiretamente indicando que os tamanhos das reduções tarifárias não eram suficientes para provocar o impasse atual.

"Isso não foi questão econômica, foi politica", disse Lamy, em entrevista coletiva, evitando, porém, apontar um culpado. A mensagem diretor-geral da OMC foi de que os dois lados não tinham muito a perder na discussão e que faltou simplesmente vontade de concluir um acordo.

Lamy destacou que as posições eram irreconciliáveis. Sem citar nomes, indicou que para o Brasil, China e India, um acordo setorial não obrigatório era a "cereja do bolo". Enquanto que para os Estados Unidos, os setoriais eram uma parte essencial do acordo industrial, que só podia ser finalizado com a garantia de compromisso e seria "o bolo na cereja".

Assim, houve "falta de vontade política para acomodar as demandas dos outros", algo que se repetiu também sobre a salvaguarda especial para países em desenvolvimento, com agricultura frágil, frearem um súbito aumento de importações.

Para o diretor-geral da OMC, não havia disposição política para concluir o esboço de acordo agrícola e industrial agora.

Lamy também se afastou da posição de Amorim, que considerou Obama como um dos culpados do novo fiasco, por não ter dado uma sinalização pela negociação global.

O diretor da OMC ressaltou que o presidente americano até 20 de janeiro próximo é George W. Bush, e que a tradição, durante a transição do poder, é de que a futura equipe normalmente não interfira nos assuntos correntes.

(Assis Moreira | Valor Econômico para Valor Online)

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