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Alemanha: governo e bancos fecham plano para salvar HRE da bancarrota

O governo e os bancos da Alemanha chegaram finalmente a um acordo neste domingo para a criação de um plano de 50 bilhões de euros para evitar a quebra do Hypo Real State (HRE), no mesmo dia do anúncio de que o governo garantirá correntistas e poupadores particulares.

AFP |

O setor financeiro concederá "uma linha de crédito suplementar de 15 bilhões de euros", que se somarão a outros 35 bilhões de euros, aportados, em sua maior parte, pelo Estado alemão, segundo um comunicado divulgado pelo ministério das Finanças.

A operação foi coordenada pelo governo, pelo Banco Central da Alemanha e pela autoridade de supervisão dos mercados (BAFIN), além de representantes do setor bancário e de seguros.

Horas antes, a chefe do governo alemão, Angela Merkel, havia admitido que Berlim trabalhava "a toque de caixa" para garantir a sobrevivência do HRE e impedir que "a situação crítica de uma instituição bancária" provoque "a crise de todo o sistema" financeiro.

"Dissemos a todos os titulares de contas poupança que seus depósitos estão seguros. O governo federal irá garanti-los", acrescentou Merkel, em uma breve declaração à imprensa.

Um porta-voz do ministério das Finanças confirmou depois que o Estado pretende garantir todas as contas bancárias particulares sem limite de valor, medida sem precedentes na Alemanha, que engloba fundos de 568 bilhões de dólares.

A Alemanha se une assim a Irlanda e Grécia na proteção total das contas de correntistas particulares, uma das iniciativas mais importantes do poder público para conter a crise até agora.

Áustria e Dinamarca também anunciaram neste domingo que garantirão os depósitos particulares, enquanto na Inglaterra vozes já se levantam pedindo medida semelhante por parte do governo.

A Alemanha, maior economia européia, tenta prevenir as imprevisíveis conseqüências da bancarrota do Hypo, cujos ativos chegavam a 400 bilhões de euros no final de 2007. Uma primeira tentativa de plano de resgate da instituição fracassou no sábado.

O HRE, cuja sede fica em Munique, é o quarto maior banco privado da Alemanha, e suas ações são cotadas na Bolsa de Frankfurt. Seu principal problema é uma falta de liquidez "de bilhões de euros", segundo o ministério das Finanças.

A instituição opera com negócios imobiliários profissionais, financiamento de projetos locais, administração de ativos e investimentos no mercado de capitais.

Afetado pela crise americana dos créditos imobiliários 'subprime', o banco sofreu o golpe de misericórdia com a quebra do gigante americano Lehman Brothers, no qual tinha interesses.

A isto se somou o desastre da Depfa, filial de origem irlandesa comprada há um ano, especializada no financiamento de projetos locais e de infraestrutura.

Segundo o jornal econômico Handelsblatt, a Depfa, considerado há até poucos meses uma jóia de rentabilidade, perdeu muito dinheiro em conseqüência de apostas arriscadas.

O HRE deverá "assumir depreciações sobre sua participação na Depfa", que sofrerá efeitos "consideráveis".

De acordo com a imprensa, o governo criticou duramente a direção do banco, mesmo antes do fracasso do primeiro plano de resgate. O jornal Bild afirmou que Peer Steinbruck, ministro das Finanças, defendia a demissão de Georg Funke, presidente do banco.

Merkel, por sua vez, declarou que "quem fez negócios irresponsáveis deve prestar contas".

"Devemos isto aos contribuintes", declarou a chefe de governo, garantindo que seu governo trabalhava "com afinco" para salvar o banco da quebra e evitar uma crise financeira generalizada no país.

bur/ap

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