Por Gernot Heller e Harry Papachristou BERLIM/ATENAS (Reuters) - A Alemanha sinalizou nesta terça-feira, pela primeira vez, que pode aceitar uma ajuda financeira europeia para a Grécia como última opção, mas exigiu que os demais países da zona do euro concordem em negociar duras regras de disciplina fiscal.

Às vésperas da cúpula da União Europeia que começa na quinta-feira, uma autoridade alemã revelou as condições de Berlim para qualquer mecanismo de ajuda:

- a Grécia teria que estar em situação de não conseguir acessar os mercados de crédito;

- o Fundo Monetário Internacional (FMI) teria que contribuir, e os países da UE teriam que concordar em negociar;

- os países da União Europeia teriam que concordar em negociar "instrumentos adicionais" para reforçar a disciplina fiscal, além das regras existentes que não conseguiram evitar que Atenas incorresse em enorme dívida e déficit que abalaram a zona do euro.

"A condição para ação, como último recurso, é que o financiamento da Grécia nos mercados de capitais tenha se exaurido", disse a autoridade.

"Além disso, seria necessário que o Fundo Monetário Internacional desse uma contribuição substancial", acrescentou a fonte, salientando que não haverá decisão sobre ajuda na cúpula.

Diplomatas europeus disseram que França e Alemanha estavam trabalhando em uma posição conjunta sobre a Grécia na cúpula, incluindo um possível papel do FMI.

"A mensagem de Berlim é realmente cristalina, de que a Grécia ainda precisa continuar não só com a consolidação mas com testes dos mercados e, se necessário, usar o FMI", disse Julian Callow, economista-chefe para Europa no Barclays Capital.

França e Espanha pediram uma reunião especial de líderes dos 16 países do euro antes da cúpula regular de dois dias que começa na tarde de quinta-feira.

O Eurogroup só teve uma reunião dessa antes, no meio da crise financeira global, em outubro de 2008.

O ministro de Finanças da Grécia, George Papaconstantinou, disse esperar uma solução positiva e que ficou encorajado pelos comentários de instituições da UE sobre maneiras de apoiar os esforços do país para cortar o déficit e o endividamento.

"Baseado nesses comunicados, nós esperamos um resultado positivo na quinta-feira", afirmou em uma conferência de investimentos.

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