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Álcool deixará de ser atrativo se gasolina cair 13%

SÃO PAULO - O álcool perderá competitividade se o preço da gasolina cair mais que 13% na bomba, avalia a Tendências Consultoria. A queda do petróleo no mercado internacional - de cerca de US$ 150 por barril para o patamar atual de US$ 35 a US$ 40 - tem preocupado o setor sucroalcooleiro quanto a uma redução nos preços da gasolina no mercado interno, o que poderia tirar a competitividade do álcool hidratado usado nos carros flex e piorar o fluxo de caixa das usinas, que já atravessam uma fase difícil.

Agência Estado |

Segundo o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, qualquer redução no preço da gasolina afeta a competitividade do etanol já que o setor ainda não tem uma estimativa de como os preços do etanol irão se comportar diante dos efeitos da crise financeira global. "Estamos em plena entressafra e os preços não estão subindo", disse.

O analista de energia da Tendências Consultoria, Walter de Vitto, explica que, atualmente, os preços da gasolina no mercado internacional estão bem abaixo dos praticados no mercado doméstico. Participantes deste mercado estimam que a defasagem pontual do preço da gasolina no mercado doméstico em relação ao externo esteja entre 50% e 60%, sendo que, pela primeira vez em 10 anos, esta defasagem ficou acima de 35% por mais de um mês. Isto porque a Petrobras não aumentou de forma expressiva os preços dos combustíveis quando os preços do petróleo dispararam e agora também não efetivou nenhuma redução, apesar da queda dos preços da commodity de energia.

Porém, de Vitto ressalta que, no cálculo da média de 12 meses, de janeiro de 2008 até o momento, os preços no mercado doméstico continuam abaixo dos praticados no mercado internacional. "Neste recorte de 12 meses, ainda não houve uma reversão e a gasolina no mercado interno continua mais barata que a média internacional", disse. Os números utilizados por Vitto foram aqueles compilados pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

De Vitto ressalta que é importante calcular esta média porque a Petrobras não costuma realizar reajustes em seus preços em razão de um cenário pontual. "Na verdade a Petrobras não tem uma política de reajuste de preços em função da volatilidade do mercado. Mas acredito que um cenário de preços de petróleo abaixo de US$ 50 por muito tempo tornará uma redução inevitável", disse.

Alguns participantes do setor sucroalcooleiro não trabalham, contudo, com a possibilidade de uma redução do preço da gasolina no curto prazo. "A Petrobras não costuma realizar reajuste. Ela não trabalha com picos e vales e sempre optou pela estabilidade", afirma Eduardo Pereira de Carvalho, diretor da ETH Bioenergia S/A.

Segundo o vice-presidente geral do grupo Cosan, Pedro Mizutani, este não é o momento ideal para a Petrobras reduzir os preços de combustíveis como gasolina e diesel. "Ela precisa gerar receita neste momento de crise global e uma redução no preço de seus produtos iria criar um gargalo desnecessário", acredita.

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