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A.Latina termina 2008 livre da recessão, mas com setores-chave afetados

Pablo Pérez. Bogotá, 20 dez (EFE).- Embora a América Latina tenha até agora conseguido escapar da recessão decorrente da crise financeira internacional, a situação gerada nos Estados Unidos, principal parceiro comercial da região, afetou gravemente os setores-chave das economia locais, voltados para a exportação.

EFE |

Quebrando a antiga regra de que quando os EUA espirram, a América Latina fica doente, a região, dominada por países em vias de desenvolvimento, continua crescendo - a um ritmo menor -, enquanto a maior potência econômica do mundo está em recessão desde o terceiro trimestre do ano.

A aparente solidez das economias latino-americanas, o crescimento dos últimos anos, que lhes permitiu acumular boas reservas, e o estabelecimento de relações comerciais com outras nações que não os EUA permitiram à América Latina resistir ao colapso do império americano.

No entanto, alguns especialistas alertam para o excessivo otimismo na região e já prevêem turbulências nas economias locais.

"A crise não deixará imunes os países emergentes, apesar das medidas que os Governos tomaram para se proteger", disse à Agência Efe o diretor da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimentos do Mercado de Capitais do Brasil, Antonio Carlos Colangelo.

Segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas e da Universidade de Munique, na Alemanha, o clima econômico na região vive seu pior momento nos últimos 10 anos, a ponto de ter criado "um cenário que pode ser descrito como de tendência recessiva global".

Endossando essas perspectivas, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) divulgou no último dia 18 suas novas previsões para o crescimento da região no ano que vem. A entidade, que já tinha rebaixado de 3% para 2,5% a expansão estimada do PIB latino-americano, diminuiu-a ainda mais, para 1,9%, ao passo que a maioria dos países mantém suas expectativas em torno de 4%.

Porém, tanto o Banco Mundial como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) já tinham previsto um 2009 "muito difícil" para a América Latina.

A diretora do Pnud para a América Latina e o Caribe, Rebeca Grynspan, disse que "muitos dos motores de crescimento que as economias da região tinham" sofrerão "impactos significativos", como o turismo, as remessas, as manufaturas, o investimento estrangeiro direto e as exportações.

A bem da verdade, as economias latino-americanas não estão passando ao largo da crise, cujos primeiros efeitos foram notados nas bolsas de valores, que desde o fim do ano passado registram quedas vertiginosas, ao ritmo das que atingem Wall Street.

As turbulências já agitaram setores como o industrial, o minerador e o energético, fundamentais para muitas das economias regionais.

É o caso do setor automotivo de Brasil, México e Argentina, em franca retração por conta da queda na demanda, da falta de liquidez das montadoras e das dificuldades do consumidor em ter acesso aos créditos.

No México, cujas vendas de veículos para os EUA foram a base do aumento de suas exportações nos últimos anos, a produção de automóveis no terceiro trimestre caiu 1% em relação ao mesmo período do ano anterior, depois de ter registrado altas de 7,9% e 8,7% nos dois trimestres anteriores.

Na Argentina, a indústria automotiva também é uma das mais prejudicadas, junto com os setores bancário, agrícola e da construção civil, que, por conta da crise, já demitiram cerca de 150 mil trabalhadores.

A queda do preço dos hidrocarbonetos é outra conseqüência do panorama anual, e, na América Latina, tem causado estragos principalmente na Bolívia, no México e na Venezuela, países que têm o gás ou o petróleo como pilares básicos de suas finanças públicas.

O mesmo tem acontecido com a cotação dos metais, cuja desvalorização internacional agora ameaça economias como as de Peru, Chile - o maior exportador mundial de cobre -, Cuba - que em 2007 teve o níquel como principal produto de sua pauta de exportações - e Bolívia - onde milhares de pessoas correm o risco de perder o emprego.

Já na América Central, o medo é de que a crise impacte as remessas dos imigrantes que vivem nos Estados Unidos, as quais constituem a principal fonte de renda de milhares de famílias centro-americanas.

A tudo isso se soma a desvalorização das divisas latino-americanas frente ao dólar, que está influenciando negativamente a inflação, um dos problemas econômicos mais delicados da região.

Para Colangelo, essa perda de valor das moedas se deve à repatriação generalizada de capitais aplicados por investidores externos nos mercados da América Latina. E a expectativa, segundo o especialista, é que "mais recursos continuem saindo" das economias regionais "até meados do ano que vem".

No momento em que a crise eclodiu, vários presidentes da região se apressaram em proclamar a imunidade de seus países.

No entanto, tiveram que voltar atrás, reconhecer a crise e aplicar medidas de emergência assim que empresas começaram a quebrar, que as demissões passaram a se multiplicar e que vários investimentos em novos projetos foram suspensos devido à falta de crédito.

Na opinião do brasileiro Rogério Studart, diretor-executivo do Banco Mundial para oito nações da região, "as respostas de alguns países, apesar de terem sido adequadas, demoraram muito", um dos motivos pelos quais a crise, à qual se referiu como "profunda", "será prolongada". EFE pa/sc

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