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Ajuste do dólar fará bem à economia brasileira, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou terça-feira que o ajuste do dólar fará bem para a economia brasileira. O dólar vai achar seu ponto de equilíbrio conforme a economia encontre seu ponto certo. Essa é a vantagem de um câmbio flexível, disse Lula, que deixou Madri em direção à Índia.

Redação com Agência Estado |

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Para o presidente, a subida do dólar "foi positiva" para a economia de um modo geral, e principalmente para as exportações. Ele lembrou da época em que era oposição e que pedia que o dólar ficasse num patamar específico. "Isso eu sei que não dá mais", afirmou.

"Vamos continuar com nossas previsões de exportar mais de US$ 200 bilhões neste ano", afirmou. Ele ainda destacou que o aumento das importações não deve ser considerado um problema.

"Estamos importando máquinas. Isso significa que estamos comprando para produzir mais", disse. Nos últimos meses, o superávit comercial do Brasil vem caindo e a Organização Mundial do Comercio (OMC) já estima que será difícil sua manutenção se os preços das commodities sofrer uma queda importante.

Lula afirmou que estava na hora de países emergentes pararem de usar o dólar como forma de garantir o intercâmbio entre suas economias. "Por que Brasil e Índia precisam usar o dólar? Por que não podemos converter as nossas moedas diretamente? Vamos começar a discutir essa possibilidade com vários governos", disse.

Ele apontou para o exemplo do Brasil e Argentina, que abriram a possibilidade para que empresas possam usar as moedas dos dois países para pagar por exportações e importações.

"Levamos mais de um ano para chegar a isso. Mas vamos agora começar a discutir a possibilidade de levar isso também ao resto do Mercosul, primeiro. Depois, a idéia é de que seja usada em toda a América do Sul", afirmou. Ele assume que será um trabalho "difícil". "Mas o nosso Banco Central vai ser usado para ajudar nesse sentido."

Agricultura

O presidente Lula acredita que o setor agrícola irá recuperar rapidamente eventuais perdas por causa da crise financeira e rejeita a tese de que as mudanças cambiais afetarão a renda no campo em 2008. "Precisamos parar de pensar em dólar e também pensar no real. A safra será colhida a um bom preço em real", afirmou Lula.

Segundo Lula, não está na hora de as pessoas "ficarem lamentando a crise". "Precisamos é aproveitar as oportunidades", disse. Ele afirmou que não está preocupado com uma eventual queda nos preços nem com o endividamento do setor. "Estamos tomando todas as medidas necessárias. A agricultura não tem o que temer", disse.

"Essa é a história da agricultura brasileira. Um ano está com certas dificuldades, mas logo se recupera e compensa nos anos seguintes. A agricultura é cíclica", afirmou.

Lula destacou que o efeito dos especuladores também afetou os preços das commodities nos últimos meses. "Muitos investidores, diante das perdas com o subprime (hipotecas de alto risco de inadimplência nos EUA), colocaram dinheiro em outras coisas, entre elas as commodities agrícolas", disse.

Lula insistiu que um dos problemas mais graves hoje é a barreira colocada pelos países ricos ao comércio de bens agrícolas. "Os países ricos precisam seguir o que dizem sobre mercado livre e de fato adotar medidas de mercado livre no setor agrícola", disse.

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