Por Daniel Trotta NOVA YORK (Reuters) - O mundo apostava fortemente na recapitalização de bancos como a saída mais rápida para a crise financeira nesta segunda-feira, o que revigorou os mercados acionários após sua pior semana na história.

Liderados pela Inglaterra, os governos europeus concordaram em garantir bilhões de dólares ao sistema bancário em movimentos que podem se tornar um teste crucial para a confiança do investidor na capacidade dos governos para reverter a crise.

As ações norte-americanas chegaram a subir 7 por cento durante o dia após o Dow despencar 18 por cento na última semana em meio a um clima de pânico e incertezas sobre os mercados de créditos e com as principais economias caminhando para uma recessão. As ações européias fecharam em forte alta de 10 por cento.

"Algumas vezes na última semana parecia que estávamos diante do Armagedon, então ter um plano coordenado para estabilizar os mercados já é um enorme progresso", afirmou Jack Ablin, vice-presidente de investimento da Harris Private Bank, em Chicago.

Wall Street também mantinha foco sobre o banco de investimento Morgan Stanley, que atingiu um acordo financeiro com o Mitsubishi UFJ Financial Group, possivelmente com o apoio do governo norte-americano. As ações do Morgan Stanley saltavam 73 por cento, após terem perdido 58 por cento na última semana.

O Federal Reserve, o Banco Central Europeu 9BCE), o Banco da Inglaterra e o Banco Nacional da Suíça afirmaram que eles irão emprestar aos bancos comerciais toda a liquidez em dólar que eles precisarem.

A medida teve um impacto instantâneo nas taxas de juros interbancárias, que caíram, mas não havia ainda nenhuma evidência de operações de financiamento de bancos para empresas.

Os mercados de títulos governamentais norte-americanos estão fechados nesta segunda-feira pelo feriado do Columbus Day.

O Tesouro norte-americano e o Federal Reserve estão trabalhando para finalizar os detalhes de seu próprio plano para recapitalizar os bancos e estabilizar os mercados financeiros seguindo as medidas anunciadas na Europa.

Por semanas os Estados Unidos se concentraram no plano de resgate de 700 bilhões de dólares para comprar os títulos podres de instituições financeiras, com o secretário do Tesouro, Henry Paulson, no início, resistindo à idéia de estatizações bancárias.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, chamou a atenção do mundo ao propor a injeção de mais capital nos bancos e incentivá-los a emprestar novamente.

Os Estados Unidos têm desde então caminhado para perto dos líderes europeus, que estavam em Washington durante o final de semana para o encontro do Grupo dos sete países mais desenvolvidos (G7), do Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial.

BROWN EM ALTA

Brown ainda foi chancelado pelos eleitores britânicos, mas a sua notoriedade global tem crescido em meio à crise. Ele ainda pediu aos líderes mundiais que criem uma nova "arquitetura financeira" para atualizar o sistema econômico mundial corrente, que foi definido na conferência de Bretton Woods em 1944.

"Às vezes é preciso uma crise para que as pessoas concordem com que o que é óbvio e que deveria ter sido feito há anos e que não pode mais ser adiado", afirmou Brown em discurso em Londres.

O plano britânico de ajuda aos bancos prevê a liberação de 37 bilhões de libras (64 bilhões de dólares) do dinheiro dos contribuintes para ajudar os três principais bancos em um movimento que pode tornar o governo o seu principal acionista.

A Alemanha, França, Itália e outros governos europeus também anunciaram pacotes de resgates que totalizam centenas de bilhões de dólares.

As medidas acalmaram os mercados assim como o novo Nobel de Economia, Paul Krugman, economista da Universidade de Princeton.

"Eu estou levemente menos aterrorizado hoje do que estava na sexta-feira", afirmou Krugman. "Nós termos uma recessão e talvez uma bastante prolongada, mas talvez não tenhamos um colapso".

O Japão afirmou nesta segunda-feira que está considerando se irá garantir todos os depósitos bancários, enquanto o banco central do país afirmou que pode se juntar aos esforços globais para impulsionar os financiamentos em dólar para os mercados de crédito.

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