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O reequilíbrio das contas da Grécia vai custar à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) entre ¿ 100 bilhões e ¿ 120 bilhões em três anos - ou até 50% a mais do que o previsto no plano de socorro anunciado pela UE há duas semanas. A informação vazou após reunião do diretor-gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn, com o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e deputados alemães.

O reequilíbrio das contas da Grécia vai custar à União Europeia (UE) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) entre ¿ 100 bilhões e ¿ 120 bilhões em três anos - ou até 50% a mais do que o previsto no plano de socorro anunciado pela UE há duas semanas. A informação vazou após reunião do diretor-gerente do fundo, Dominique Strauss-Kahn, com o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e deputados alemães. E o socorro é cada vez mais urgente: ontem, a agência Standard & Poors, que havia rebaixado a nota dos títulos gregos e portugueses, anunciou o rebaixamento da nota da Espanha, de AA+ para AA. Em resposta à instabilidade, o euro atingiu a mais baixa cotação em relação ao dólar em um ano - US$ 1,3138, em queda de 0,27% no fim da tarde. Os mercados financeiros também voltaram a fechar em baixa. No Reino Unido, o índice Footsie 100 recuou 0,30%, enquanto em Madri o Ibex 35 caiu 2,99%. Enquanto isso, em Berlim, Strauss-Kahn e Trichet tentavam convencer os alemães a liberar rapidamente os recursos para salvar a Grécia. A estimativa de até 120 bilhões supera muito os ¿ 80 bilhões em empréstimos previstos para 2010, 2011 e 2012 no mecanismo de auxílio da UE e do FMI, anunciado em 11 de abril. Segundo declarações dos deputados alemães Juergen Trittin, Norbert Barthle e Thomas Oppermann à agência Reuters, Strauss-Kahn e Trichet disseram que, para afastar o risco de renegociação da dívida ou moratória, a Grécia precisará de mais do que o previsto. O valor é parecido com o que o Banco Central grego havia informado ao Banco de Compensações Internacionais (BIS) há poucos dias, segundo revelou ao Estado uma fonte na entidade, que tem sede em Basileia, Suíça. Urgência. Após a reunião, Strauss-Kahn e Trichet se recusaram a confirmar os números, mas ressaltaram a urgência na liberação do socorro à Grécia. "Há necessidade absoluta de decidir rapidamente", disse o presidente do BCE. "Por isso, um procedimento acelerado no Parlamento alemão seria tão importante." O diretor-gerente do FMI reforçou a preocupação, ao reiterar a necessidade de liberação rápida dos empréstimos bilaterais. "Cada dia perdido será um dia na qual a situação vai piorar." As duas autoridades foram a Berlim para se encontrar com membros do gabinete da chanceler da Alemanha, Angela Merkel. O objetivo da reunião era dobrar a resistência do governo em autorizar a transferência dos recursos. Dos ¿ 45 bilhões em empréstimos previstos para 2010 pela UE e pelo FMI, os europeus serão responsáveis por ¿ 30 bilhões. Desse total, a Alemanha responderá por ¿ 8,4 bilhões. O empréstimo, porém, precisa ser homologado pelo Parlamento do país. Após o encontro com Trichet e Strauss-Kahn, Merkel deu uma primeira demonstração de boa vontade em relação à Grécia. "Está bastante claro que as negociações entre o governo grego, a Comissão Europeia e o FMI devem ser aceleradas", disse. Mas não deixou de criticar os gregos: "Em 2000, fomos confrontados pela questão sobre se a Grécia deveria ou não se juntar à zona do euro. A decisão pode não ter sido examinada suficientemente de perto". Apesar da nova reprimenda da chanceler, o ministro de Finanças, Wolfgang Schäuble, afirmou que um projeto de lei autorizando o empréstimo será encaminhado até 7 de maio. A concessão do governo alemão ocorre no momento em que toda Europa tenta acelerar o empréstimo. Uma cúpula extraordinária de chefes de Estado e de governo dos 16 países da zona do euro foi convocada ontem pelo presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, para 10 de maio, em Bruxelas. Até lá, todos os parlamentos já deverão ter aprovado os empréstimos. Se o prazo se confirmar, a Grécia receberá a primeira parcela dos recursos dias antes do vencimento de quase ¿ 9 bilhões em títulos que precisam ser honrados até 19 de maio. Resta saber se o socorro não virá tarde demais.

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