Viena, 1 out (EFE).- Entre 1993 e 2007 foram registradas 18 tentativas de tráfico ilegal de plutônio e urânio altamente enriquecido, materiais que podem ser usados para a fabricação de uma bomba atômica, informou hoje a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Estas informações estão entre as reunidas pela agência nuclear da ONU em uma base de dados sobre tráfico de produtos radioativos que reúne mais de 1.300 incidentes com material radioativo de diferente consideração nos últimos 14 anos.

Destes episódios, 390 se incluíam no capítulo de roubo ou perda de material nuclear e 303 sob a epígrafe de posse não autorizada de material atômico.

Na maior parte dos casos (66%) o material subtraído ou perdido não pôde ser localizado, lamenta a AIEA.

Nestes "incidentes" se enumeram em sua maioria casos de atividades ilegais com material menos potente, embora suscetível de ser usado para a dispersão de contaminação radioativa nas chamadas "bombas sujas".

Este tipo de artefatos são encontrados a partir de elementos radiológicos ou radioativos de baixa intensidade, usados geralmente em equipamentos médicos, e que são detonados com explosivos convencionais.

"Na maior parte dos casos se tentou vender o material (radioativo). Não encontramos os compradores, mas sim os que tentavam vendê-lo", explicou em entrevista coletiva Viacheslav Turkin, da AIEA.

"Este é um dos aspectos preocupantes, a possível existência de um mercado negro" de material nuclear, acrescentou.

"O tráfico de materiais nucleares continua sendo motivo de preocupação em escala internacional, diante de suas possíveis graves conseqüências para a vida e a saúde humanas, a propriedade e o meio ambiente", afirmou o diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, em um relatório dirigido a sua Assembléia Geral.

A AIEA também afirmou que existe um grande número de incidentes causados pela fundição de materiais radiológicos e a deposição em lixões ou locais não autorizados, com o conseguinte risco para a saúde e o meio ambiente.

Nos casos mais graves, os que envolvem plutônio e urânio altamente enriquecido, foram apreendidos vários quilos, quantidades suficientes para serem usadas em armas nucleares.

Nos outros casos se trata de quantidades muito pequenas, embora a AIEA afirme que pode ser apenas a ponta do iceberg por causa da possibilidade de que sejam "mostras de uma quantidade maior", afirmou a entidade em um documento.

De qualquer forma "não vimos grupos criminosos organizados que trabalhem de forma eficiente", acrescentou Turkin, que destacou o caráter não profissional dos detidos nestes incidentes. EFE ll/fal

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