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AIE: demanda mundial de petróleo cairá em 2008 pela primeira vez em 25 anos

A demanda mundial de petróleo cairá este ano pela primeira vez em 25 anos, indicou nesta quinta-feira a Agência Internacional de Energia (AIE), que voltou a revisar fortemente em baixa suas previsões devido à crise econômica.

AFP |

"Em 2008 a demanda mundial de petróleo deve cair pela primeira vez desde 1983, e cairá 200 mil barris diários (b/d), para 85,8 milhões de barris por dia", indicou a AIE em seu relatório mensal.

"Em 2009, a demanda deve voltar a crescer, a 86,3 milhões de barris por dia", um dado também revisado em baixa, acrescentou a AIE, com base na recuperação econômica que o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê para o próximo ano.

Em seu relatório do mês anterior, a AIE, que defende os interesses energéticos dos países industrializados, apostava para 2008 e 2009 numa demanda respectiva de 86,2 milhões de barris por dia e 86,5 milhões de barris por dia.

O crescimento da oferta mundial de ouro negro se desacelerou por sua vez em 165.000 barris por dia em novembro, a 86,5 milhões de barris por dia.

A Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) retirou 760.000 barris por dia do mercado, e sua oferta alcançava os 31,3 milhões de barris por dia no fim do mês passado, em reação à desaceleração da demanda, acrescentou o relatório.

"A oferta de dezembro cairá um pouco mais já que a Opep se reúne em 17 de dezembro em Orán, Argélia, e prevê fechar um pouco mais suas torneiras de petróleo pela primeira vez desde setembro", segundo a AIE.

O cartel, que está enfrentando uma queda da demanda devido à crise econômica e financeira, tenta a todo custo elevar as cotações do barril de cru, que caíram mais de 100 dólares desde seu recorde de 147,50 dólares em meados de julho.

A maioria dos analistas espera que a Opep anuncie em Orán uma redução de sua oferta de dois milhões de barris por dia.

A AIE afirmou que a Opep produzirá no ano que vem 30,7 milhões de barris por dia, um dado também revisado em baixa em cerca de um milhão de barris por dia. Segundo este cálculo, se a Opep retirar mais de 600 mil barris por dia de sua oferta atual, o mercado ficará subabastecido no próximo ano.

"O mercado está muito baixista", admitiu David Fyfe, analista chefe da AIE, consultado pela AFP, mas "gostaríamos de insistir no fato de que a demanda pode ser mais resistente que o previsto nos países emergentes".

As tentativas de desregular os preços dos produtos derivados do petróleo, amplamente subsidiados na maioria dos países em desenvolvimento, levaria muito tempo, destacou, dizendo que a Opep pode ir "muito longe" no corte de sua produção esperado na próxima semana em sua reunião de Orán.

ved/lm

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