Viena, 18 mar (EFE).- O diretor-executivo da Agência Internacional da Energia (AIE), Nobuo Tanaka, defendeu hoje, em Viena, a introdução de um novo pacto de energia limpa como parte principal das medidas de estímulos econômicos no âmbito internacional.

Em discurso durante um seminário internacional da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Tanaka considerou que a crise econômica é "uma oportunidade" para uma "revolução energética" necessária.

O diretor-executivo lembrou que a crise mundial provocou queda de 70% nos preços do petróleo durante a segunda metade do ano passado e obrigou a AIE a revisar para baixo sua previsão sobre a demanda petrolífera global.

A agência prevê agora uma demanda global de 3 milhões de barris diários (mbd) a menos do que em suas projeções iniciais, publicadas em agosto de 2008.

"A queda da demanda esperada para 2009 é a maior desde meados da década de 70", ressaltou Tanaka, lembrando que "é improvável que os números reflitam plenamente o impacto da crise".

Os analistas da agência ainda não sabem como a situação afetará as empresas que operam no setor e seus investimentos.

Até agora, o que está claro para a AIE é que a situação atual representa um grande desafio, porque "também são necessários investimentos para substituir os poços com produção em queda", lembrou Tanaka.

A curto prazo, esses investimentos também estão sob risco, devido ao congelamento do fluxo de crédito que está provocando a crise do setor bancário e financeiro.

Além disso, a agência considera inadiável a tarefa de limitar a mudança climática por meio de uma "maior descarbonização do sistema energético mundial", o que pode ser obtido por meio do desenvolvimento de tecnologias como a captura e armazenamento de carbono.

Um dos cenários está calcado em uma forte redução das emissões de gás carbônico e uma melhora da segurança energética, o que, por sua vez, limitaria a demanda por combustíveis fósseis.

Neste caso, a AIE espera que a produção da Opep aumente em 12 milhões de barris diários (mbd) até 2030, partindo dos cerca de 28 mbd atuais. EFE wr/bba/an

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