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Nações Unidas, 3 mai (EFE).- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu hoje a suspensão dos Estados Unidos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por este ter sido o único país a lançar uma bomba atômica.

Nações Unidas, 3 mai (EFE).- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pediu hoje a suspensão dos Estados Unidos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por este ter sido o único país a lançar uma bomba atômica. Ahmadinejad exigiu a saída de Washington do organismo "por este país ter lançado duas bombas nucleares contra o Japão e ter utilizado armamento com urânio na Guerra do Iraque", ao que os Estados Unidos, Reino Unido e França responderam ausentando-se da assembleia geral na qual ocorre debate. "A presença e influência política destes estados impediu até o momento que a AIEA cumpra com seu mandato" em vários artigos, disse o presidente iraniano, que questionou "como pode os EUA serem membro do Conselho se este país lançou uma bomba nuclear contra o Japão e utilizou bombas de urânio na Guerra do Iraque". Ahmadinejad, que realizou um discurso no qual reiterou posições já conhecidas sobre seu programa nuclear e Israel, pediu também o "fim de toda cooperação nuclear com os países que não são membros do Tratado de Não-Proliferação (TNP) e que se puna os que as mantenham", em uma referência indireta a Israel, que não é signatário do TNP e tem um suposto arsenal atômico. Denunciou novamente o que considera os dois pesos e duas medidas do Ocidente em assuntos de desarmamento nuclear e acusou Israel de ter "centenas de ogivas nucleares" que ameaçam aos povos da região. As críticas do presidente do Irã, o único chefe de estado que assiste à Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação, se dirigiram também em direção ao Conselho de Segurança da ONU, ao que acusou de "injusto e ineficiente", além de "estar ao serviço dos interesses dos estados com armamento nuclear". Pediu ainda o desmantelamento do armamento nuclear "das bases militares dos Estados Unidos e seus aliados em outros países, incluindo Alemanha, Itália, Japão e Holanda". As delegações dos Estados Unidos, França e Reino Unido responderam às críticas do Irã, ausentando-se do plenário da assembleia geral, do qual já não estava presente a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. Antes do discurso do político iraniano, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, tinha pedido ao Governo de Teerã que dissipasse as dúvidas da comunidade internacional sobre seu programa nuclear com relação às suspeitas do duplo uso militar e civil. Ban pediu a Ahmadinejad que "atue de maneira construtiva", ressaltando que o "Irã tem a responsabilidade de esclarecer as dúvidas e as preocupações sobre seu programa". Também assinalou que deveria aceitar a proposta da AIEA de processar o material nuclear iraniano fora do país, assim como a "cumprir em sua totalidade com as resoluções do Conselho de Segurança e cooperar plenamente com a AIEA". A Conferência de Revisão do TNP, que se prolongará até 28 de maio, ocorre a cada cinco anos desde que o tratado entrou em vigor em 1970 e nesta ocasião assistem delegações dos 189 países signatários do tratado. EFE emm-jju/dm

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