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Agricultores franceses tentam mostrar força

Desta vez não é um protesto. A Avenida Champs-Elysées, uma das mais célebres do mundo e com frequência tomada para manifestações políticas, foi interditada ao fluxo de veículos ontem e hoje para uma exposição inédita e inopinada: apresentar ao homem citadino a pujança e a importância da agricultura.

AE |

Desta vez não é um protesto. A Avenida Champs-Elysées, uma das mais célebres do mundo e com frequência tomada para manifestações políticas, foi interditada ao fluxo de veículos ontem e hoje para uma exposição inédita e inopinada: apresentar ao homem citadino a pujança e a importância da agricultura. A iniciativa, chamada Nature Capitale - Natureza Capital, na tradução livre -, transformou o coração de Paris em campos floridos e pastagens para alimentação de gado, dando novos odores, cores e sons à paisagem urbana. A exposição foi preparada durante um ano e foi instalada na madrugada de sábado para domingo, quando cerca de 600 pessoas trabalharam na instalação de painéis gigantescos que se estendem do cruzamento da Champs-Elysées ao Arco do Triunfo, um percurso de 1,2 km. São três hectares, área equivalente a seis campos de futebol, que sintetizam a diversidade da agricultura e das florestas da França. Há gramados, plantações de milho, de lavanda, oliveiras, cerejeiras. Em meio ao público, circulam vacas e bezerros, carneiros, porcos e até abelhas, uma forma de apresentar a força da agricultura da França, o maior produtor mundial de alimentos. Segundo os organizadores, 80% da diversidade do campo francês estaria representada na exposição. São 8 mil porções de terra, nas quais foram plantadas 150 variedades agrícolas e florestas, um total 150 mil mudas de plantas, 11 mil de árvores, além de 650 árvores adultas. E, em meio à natureza, debates, seminários e até um desfile de moda são organizados. Carole Dorée, vice-presidente do JA e responsável pela Nature Capitale, enfatiza o objetivo artístico da exposição. "Queremos trocar ideias sobre o mundo agrícola, aprender sobre os produtos da terra, experimentá-los. Nossa mensagem mais ampla é que a agricultura é capital para as gerações futuras", afirma. Por trás da poesia da mostra há um objetivo político e econômico. A associação Jovens Agricultores (JA), um sindicato que só conta com afiliados com menos de 35 anos, tenta sensibilizar a opinião pública francesa e europeia para a importância da atividade primária, para a preservação ambiental e para a segurança alimentar. Além disso, adverte para a queda da renda da categoria. Em 2009, a renda mensal média dos agricultores do país, hoje de ¿ 14,6 mil, teria caído 34% em comparação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura. Em abril, mais de 10 mil produtores rurais franceses tomaram com tratores as ruas de Paris em protesto contra a queda dos preços dos cereais. A manifestação, apoiada pelos parisienses, visou a pressionar o governo e garantir as subvenções que a categoria já recebe da União Europeia, e que estão ameaçadas. Ontem, Bruno Le Maire, ministro da Agricultura, lembrou a importância do setor. "Somos todos agricultores", disse. A julgar pela frequência de público, a ofensiva de marketing do campo sobre a cidade surtiu efeito. Só no domingo, até o final da tarde 800 mil pessoas teriam passado pelo bosque em que a Champs-Elysées se transformou, segundo dados da polícia. A meta dos organizadores é chegar aos 2 milhões. "Eu conhecia uma Champs-Elysées tomada de automóveis. Vê-la cheia de plantas, cores e essências diferentes é incrível. Estou descobrindo melhor um lado da França que eu conhecia pouco", disse Carole Dupont, parisiense casada com um ex-agricultor. A exposição, que custou ¿ 4,2 milhões, termina hoje, feriado de Pentecostes na França.

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