RIO - O presidente da Vale, Roger Agnelli, negou qualquer limitação nos embarques de minério de ferro para a China e afirmou não acreditar em uma interrupção da importação do minério brasileiro por parte das siderúrgicas do país asiático. Nos últimos dias, jornais chineses publicaram que a empresa teria reduzido embarques, numa tentativa de forçar as siderúrgicas chinesas a aceitar a equiparação dos preços do minério aos valores pagos pelos europeus.

Ainda de acordo com a mídia chinesa, as siderúrgicas teriam ameaçado a mineradora com a suspensão da importação.

Hoje, durante evento para apresentação do relatório de sustentabilidade da companhia, Agnelli afirmou que os estoques de minério de ferro nos portos da Vale estão muito baixos, o que comprova que a companhia não deixou de enviar o produto para os clientes chineses. Ao mesmo tempo, o executivo fez questão de frisar que a Vale foi a principal fornecedora de minério para que a siderurgia chinesa pudesse se transformar na maior produtora mundial de aço e acrescentou que não seria possível para o país asiático simplesmente suspender a compra do produto da Vale.

"O maior market share na China é da Vale e se parar com os embarques, vai parar a siderurgia chinesa. Isso tudo é muito oba-oba. Baixa a bola", afirmou Agnelli, acrescentando que não chegou à mineradora nenhum comunicado oficial das siderúrgicas chinesas sobre uma possível interrupção na importação. "Não tem nada formal, como é de praxe na China", disse.

O executivo não quis dar mais detalhes sobre as negociações em que a mineradora tenta a equalizar os preços pagos pelos clientes europeus e asiáticos pelo minério de ferro.

"O que colocamos quando estivemos na China e no Japão é que, dependendo da negociação com os australianos, precisaríamos de equalização de preços europeus e preços FOB no Brasil. Mas isso tudo é comercial e não tratamos disso pela mídia", ressaltou.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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