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Logo após deixar o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Vale, Roger Agnelli, considerou "maluca" a análise que apontou o aumento do preço do minério de ferro como o responsável pela elevação em 2,21% do ¿?ndice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) na primeira prévia de junho, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Agnelli aproveitou para sair em defesa do setor.

Logo após deixar o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Vale, Roger Agnelli, considerou "maluca" a análise que apontou o aumento do preço do minério de ferro como o responsável pela elevação em 2,21% do ¿?ndice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) na primeira prévia de junho, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), Agnelli aproveitou para sair em defesa do setor. Ele disse que são os "dólares" da exportação do aço que estão permitindo uma melhor situação da economia interna. "Quanto mais dólares entrando, melhor para a cesta básica", afirmou.

O executivo da Vale avaliou que o aumento das exportações está contribuindo para evitar a inflação. Na entrevista, Agnelli observou que, no começo do ano, era pequena a expectativa para a balança comercial brasileira. "Com o aumento do minério, nós mudamos a expectativa da balança", disse. "Hoje, minério de ferro é o maior item de exportação do Brasil. Se tudo correr bem, a Vale passa a ser a maior exportadora brasileira este ano", ressaltou. "Esses recursos estão financiando o maior plano de investimentos da Vale e o maior plano de investimento da história da mineração mundial. Isso tem que ser colocado."

Assessores do governo relataram que, nos últimos meses, Lula tem reclamado da "participação" do setor do aço no aumento de preços no País, especialmente na área da construção civil. Desde o início do segundo mandato, em 2006, o presidente faz críticas públicas à Vale. O auge das críticas ocorreu no fim de 2008, durante a crise financeira internacional. Lula reclamou que aquele momento exigia, de companhias do porte da Vale, mais anúncios de investimentos.

Na entrevista, Agnelli relatou ter apresentado sua posição sobre a análise da FGV à Lula e ao ministro da Fazenda, Guido Mantega. "Até falei sobre isso com o presidente e com o ministro Guido. Acho isso uma coisa tão maluca, quando você fala que minério de ferro afeta o preço do aluguel. O que tem a ver o minério de ferro com o preço do aluguel?", disse. "E o pior de tudo é que o preço do aluguel é feito, na maioria dos casos, pelo IGP-M. Eles mudaram a questão de peso relativo de siderurgia no ano passado. Aí deu esse pulo este ano", afirmou.

Diante da insistência de repórteres sobre a análise que apontou o aumento do preço do minério como "vilão" da inflação, Agnelli respondeu: "dizer que o minério influiu na inflação significa dizer que ele influencia no preço de aluguel. E não tem nada a ver uma coisa com a outra". Ele classificou que a metodologia adotada no IGP-M é distorcida. "Agora, os contratos de aluguel, por terem correção em IGP-M, poderão ser afetados mais lá na frente, em função do IGP-M de hoje. Isso é que é cruel", afirmou. "Esse índice, na minha visão, está fortemente distorcido por uma metodologia que talvez não reflita o atual ambiente econômico brasileiro".

Agnelli disse ainda que já expôs aos técnicos da FGV suas queixas. "O que mais me deixa encafifado - e isso eu conversei com a FGV - é o seguinte: nós produzimos e exportamos 90% do minério. Somente 10% ficam aqui dentro do Brasil. E, na metodologia do IGP-M, não digo se é certa ou errada, 100% são vendidos aqui e a gente só vende 10%", afirmou.

Questionado sobre se a redução da tarifa de importação do aço poderia ajudar a conter a inflação, Roger Agnelli respondeu que não sabia. "O fato é que aço é importante insumo para várias indústrias, a gente tem que olhar isso com muita cautela", disse. "Esses movimentos bruscos de impostos ou subindo ou descendo, principalmente na questão de competitividade, de posicionamento do Brasil no mundo inteiro, pode gerar graves consequências", completou. "Acho que isso tem que ser avaliado e analisado com muita cautela."

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