PORTO ALEGRE - Dentro de 18 meses a AGCO pretende colocar no mercado os primeiros tratores flex do país, com a marca Massey Ferguson, desenvolvidos em parceria com a fabricante de motores MWM International e a Delphi, que produz os sistemas de injeção. Movidos a diesel e etanol ou a biodiesel e etanol, os equipamentos podem proporcionar uma economia de até 25% com as despesas de combustível tomando como base os preços praticados no mercado paulista, disse ontem o gerente de marketing de produto da empresa, Eduardo Souza.

Conforme o executivo, o novo trator funciona com dois tanques e duas linhas de alimentação de combustível independentes. O diesel e o etanol são misturados na câmara de combustão de acordo com as necessidades de potência do momento e a reação tem a vantagem adicional de reduzir o volume de emissões na atmosfera, disse Souza. O motor também pode operar exclusivamente com diesel, mas não apenas com etanol.

De acordo com o gerente, a economia com gastos de combustível pode ser ainda maior para os produtores de cana e etanol, que formam o público preferencial da nova máquina. A tecnologia poderá ser aplicada nas colheitadeiras de cana-de-açúcar que estão em fase de desenvolvimento pela empresa, explicou.

O trator flex da AGCO está sendo desenvolvido desde o início do ano e foi apresentado ontem na Expointer, em Esteio (RS), na região metropolitana de Porto Alegre, na versão de 75 cavalos de potência, mas a tecnologia poderá ser aplicada em toda a linha de produtos da marca, que vai de 50 a 300 CV, informou Souza. Ele não informou o montante de recursos aplicados no projeto, mas disse que a verba faz parte do orçamento corrente de investimentos em pesquisa e desenvolvimento da empresa.

Com o novo modelo a AGCO pretende aproveitar o bom momento do setor de açúcar e álcool, que vem experimentando uma recuperação dos preços dos seus produtos, disse o gerente. De acordo com ele, as vendas internas de tratores da marca Massey Ferguson devem crescer entre 35% e 40% no ano, em linha com o mercado. Nos sete primeiros meses, o desempenho alcançou 38,8%, para 7 mil unidades.

(Sérgio Bueno | Valor Econômico)

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