Desestatizado em 2001, o Aeroporto Internacional de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, é um dos três administrados por uma empresa privada no País (os outros são os de Juiz de Fora(MG) e Porto Seguro(BA). A licitação, promovida no governo Fernando Henrique Cardoso, foi realizada em 2001, e a vencedora, a concessionária Costa do Sol, obteve o que o governo não tinha conseguido nos três anos em que esteve à frente da operação: fazer o aeroporto dar lucro.

Aproveitando a proximidade com Macaé, onde se concentra o pólo petrolífero da Bacia de Campos, a Costa do Sol montou uma base alfandegária em 2003. O fluxo de cargas cresceu graças às facilidades oferecidas, como menor tempo gasto no desembaraço das mercadorias e atendimento especial para as companhias petrolíferas. O maior avião do mundo, o russo Antonov, já pousou em Cabo Frio trazendo a bordo um helicóptero destinado à Bacia de Campos.

Em oito anos, a Costa do Sol, cuja concessão tem validade de 22 anos, investiu R$ 80 milhões na infraestrutura e ampliação do aeroporto, que emprega 150 funcionários. Em 2009, o equivalente a R$ 525 milhões em cargas passou por Cabo Frio, gerando receitas tributárias de R$ 157 milhões. Isso porque os passageiros são poucos. No ano passado, passaram pelo aeroporto 30 mil passageiros, que representaram 2,5% do faturamento de R$ 40 milhões (ou 2,7 vezes a receita de 2008, quando o aeroporto apresentou um lucro de R$ 2,5 milhões). Na verdade, a ênfase no transporte de cargas foi uma resposta dos operadores do terminal a esse fluxo reduzido de passageiros, principalmente a partir da crise argentina, no começo da década, que afastou de Cabo Frio os turistas do país vizinho. "A criação do terminal de cargas foi a solução para viabilizar a operação", afirma Murilo Junqueira, presidente do aeroporto. "Quando só operávamos com passageiros, os sócios tiveram de pôr dinheiro para manter o aeroporto funcionando." Hoje, há voos ligando Cabo Frio a Montevidéu, Santiago, Buenos Aires, Miami e Belo Horizonte.

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