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Aerolíneas Argentinas volta a ser estatal após 19 anos

O governo da presidente Cristina Kirchner e a empresa espanhola Marsans assinaram ontem um acordo que determina a transferência total do pacote acionário da companhia aérea Aerolíneas Argentinas ao Estado argentino. Dessa forma, o governo reestatiza, após 19 anos de privatização, a maior empresa aérea do país, responsável por 83% dos vôos internos e 52% das viagens internacionais.

Agência Estado |

O anúncio foi realizado pelo Secretário de Transportes, Ricardo Jaime, que definiu o acordo como "um importantíssimo passo para o Estado nacional".

Juntamente com a Aerolíneas, também foi reestatizada sua subsidiária, a Austral. O Estado argentino ficará responsável pela dívida das empresas, estimada em US$ 890 milhões. Jaime afirmou que começará de forma imediata um processo para determinar o valor de cada ação das empresas. "A partir daí, poderemos realizar a assinatura definitiva da totalidade do pacote acionário de ambas as companhias", disse o secretário.

Na semana passada, o governo havia dado o primeiro passo na intervenção da Aerolíneas, ao fornecer US$ 35 milhões para realizar o pagamento dos salários atrasados de 9 mil funcionários - compromisso que a Marsans admitia não poder cumprir -, além dos gastos de manutenção dos aviões.

Jaime declarou que a empresa seria capitalizada nos próximos tempos e não descartou a possibilidade de que, no futuro, a Aerolíneas possa ser novamente privatizada. Nesse caso, as especulações do mercado indicam que a presidente Cristina Kirchner e seu marido e ex-presidente, Néstor Kirchner, poderiam manobrar para que a empresa fique nas mãos de um empresário argentino.

Ao longo dos últimos cinco anos, Néstor e Cristina realizaram diversas reestatizações, com o objetivo de recuperar o peso do Estado na economia argentina. Em alguns casos, os Kirchners impuseram a compra de empresas em mãos estrangeiras por parte de empresários argentinos amigos.

Até a véspera do acordo com a Marsans, 94,41% da Aerolíneas Argentinas estava nas mãos da Interinvest, empresa controlada pela companhia espanhola Marsans; os funcionários possuíam 0,59% e o Estado argentino contava com 5%.

A Aerolíneas estava em concordata desde 2001, ano da pior crise econômica da história da Argentina. De lá para cá, a empresa aérea esteve constantemente à beira do colapso. A companhia pulava de greve em greve e os cancelamentos de seus vôos eram cotidianos. Além disso, os sindicatos aéreos sustentam que a situação de boa parte dos aparelhos da empresa é "deplorável". Segundo os sindicalistas, 50% dos aviões da Aerolíneas Argentinas não são utilizados por não terem condições de voar.

Mal-estar espanhol

Nas últimas semanas, as intenções de reestatização da empresa geraram mal-estar na Espanha, o país que mais participou da onda de privatizações argentinas dos anos 90, implementada pelo então presidente Carlos Menem (que governou entre 1989 e 1999).

Por esse motivo, para impedir problemas com o governo do primeiro-ministro espanhol José Luis Zapatero, o governo de Cristina concordou em um período de transição de 70 dias, ao longo do qual a Aerolíneas será administrada de forma conjunta pelo Estado argentino e a espanhola Marsans. Além disso, o governo argentino comprometeu-se a não fazer críticas à Marsans nem culpá-la pelos graves problemas que a companhia padece, como as dívidas trabalhistas e o sucateamento.

O governo estava de olho há meses na eventual reestatização total ou parcial da empresa, já que, na opinião dos líderes do país, a "argentinização" da empresa seria um trunfo político.

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