SÃO PAULO - Antes mesmo de contar com a presença do governador de São Paulo, José Serra, em sua campanha pela Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu ontem o apoio formal de Aécio Neves, governador de Minas. Serra e Alckmin foram vistos juntos pela última vez na convenção do partido, em junho.

No meio da tarde de ontem, Aécio visitou Alckmin no comitê de campanha do candidato, no centro de São Paulo. Os dois tucanos conversaram por pouco mais de 15 minutos em uma sala reservada e depois ficaram rasgando elogios um ao outro, em entrevista para a imprensa. Não trago aqui apenas meu apoio formal, mas também meu entusiasmo com a candidatura de Alckmin , disse Aécio. Estou à disposição para aquilo que for necessário. Mais do que votos, é o simbolismo de que o partido se fortalece e que vê na vitória de Geraldo algo muito importante para o futuro , afirmou o governador de Minas. É um gesto muito importante , comemorou o candidato do PSDB à prefeitura paulistana.

Sob forte chuva, os dois foram a um bar dividir um café. Aqui está o novo prefeito de São Paulo , dizia Aécio para apenas uma pessoa, que chegou ao bar depois de seguir o aglomerado de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos que acompanhavam os dois tucanos.

Alckmin enumerou, por duas vezes, o apoio que recebeu de governantes tucanos de fora de São Paulo: governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, o prefeito de Curitiba, Beto Richa, o presidente do partido, senador Sérgio Guerra (PE) e o candidato tucano à prefeitura de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr. , além de Aécio. Quem passa por São Paulo vem me dar um abraço , comentou. Ele disse também ter recebido ontem um telefonema do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e planeja para a próxima semana um evento com FHC. Ele quer participar da campanha , afirmou o candidato. E José Serra, governador de São Paulo? Serra nos apoiou desde a convenção e já declarou apoio. Converso com ele semanalmente, às vezes duas vezes por semana , disse. Ainda não há planos de uma agenda conjunta.

Serra ainda não participou de eventos da campanha do candidato constrangido, em parte, pela candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM), a quem deixou o cargo em 2006 para disputar o governo estadual. É preciso compreender as circunstâncias em que Serra está. Vamos dar tempo ao tempo , minimizou Aécio Neves, ao lado de Alckmin.

Sem a presença do governador paulista em sua campanha, Alckmin destacava a companhia do governador mineiro. O apoio de Serra não exclui o de Aécio. O apoio de Aécio não exclui o de Serra. Todos virão. Não existe PSDB do Fernando Henrique, do Serra, do Aécio. É um único partido.

Os dois tucanos evitaram comentar os reflexos dessa aproximação na disputa pela Presidência, em 2010. Tanto o governador de Minas quanto o de São Paulo são pré-candidatos do PSDB. É um equívoco fazer essa ligação. Não existe vínculo entre a eleição de 2008 com a de 2010 , disse Aécio. Em 2010 é outra eleição, tem outra lógica , minimizou o candidato à prefeitura e ex-governador.

Aécio e Alckmin, entretanto, não deixaram de acenar a Serra. Alckmin disse que a vitória do PSDB em São Paulo fortalece Serra, que é governador do Estado e o governador de Minas visitou Serra ontem. Na semana passada, eles também se reuniram em São Paulo.

(Cristiane Agostine | Valor Econômico)

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