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AEB: crise pode gerar déficit comercial já em 2009

O atual agravamento da crise internacional poderá gerar um déficit na balança comercial brasileira já em 2009, alerta o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Ele acredita em recuo das exportações no ano que vem, devido à queda nos preços das matérias-primas (commodities), redução da demanda mundial e restrição de crédito.

Agência Estado |

Caso seja confirmado, será o primeiro resultado negativo na balança comercial no País em nove anos.

Os efeitos da intempérie nos mercados, porém, só virão no ano que vem. Em 2008, as vendas externas do País poderão superar US$ 200 bilhões, acima da meta atual do Ministério do Desenvolvimento, de US$ 190 bilhões, superando em 23% o resultado do ano passado (US$ 160,6 bilhões). A projeção da AEB aponta um superávit de US$ 23 bilhões na balança este ano, mas Augusto de Castro admite que esse volume poderá ser maior, já que a crise só deverá afetar os resultados a partir do final deste ano.

Para o ano que vem, porém, as perspectivas são sombrias. "Num cenário ainda superficial, podemos imaginar que as exportações devem cair 6% com a queda nos preços das commodities, enquanto as importações devem subir acima disso, gerando um déficit", disse o vice-presidente da AEB, que acrescentou ainda que "não é nada absurdo pensar em déficit" diante da gravidade da crise.

E, segundo ele, não há nada a fazer, senão esperar. "Com forte dependência das commodities nos resultados das exportações, o Brasil não tem o que fazer", afirmou. Augusto de Castro lembra que já havia tendência de redução do superávit na balança no ano que vem, mas com o agravamento da crise, poderá ocorrer o déficit em 2009.

De acordo com o executivo, a desvalorização do real dos últimos dias não ajuda em nada os exportadores. O argumento é que os preços das commodities continuam caindo e não têm relação com o câmbio e, no caso dos produtos manufaturados, somente uma cotação do dólar estável entre R$ 2 e R$ 2,20 poderia trazer benefícios. "A volatilidade está muito alta, isso não ajuda em nada", afirmou. Hoje, o dólar fechou cotado em R$ 1,831, com queda de 5,13% ante o dia anterior.

Apesar da perspectiva negativa, Augusto de Castro ressalta que os cenários são muito nebulosos e "ainda não dá para fazer afirmativas, apenas apontar tendências". Para ele, a atual crise mundial nos mercados é muito mais grave do que a que ocorreu em 1997. O argumento é que, naquele momento, os problemas estavam concentrados em países em desenvolvimento e as nações desenvolvidas conseguiram "segurar" a crise. Hoje, com as dificuldades nos países desenvolvidos, a situação ficou difícil para o mundo como um todo.

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