Pequim, 01 - Os pais de um bebê chinês que foi contaminado por ter bebido leite com o produto químico melamina estão interpelando judicialmente a indústria láctea que fabricou o produto, enquanto mais quinze outras companhias do setor de laticínios foram apontadas hoje como responsáveis por produtos contaminados com o produto químico melamina. Uma série de novos testes ampliou o escândalo em relação aos produtos chineses com leite na fórmula.

Foi detectada a presença de melamina em trinta e uma amostras de leite em pó chinês, produzidas por 20 companhias. O dado foi divulgado hoje no site do órgão responsável pela segurança dos alimentos. Mais de 13 mil crianças chegaram a ser hospitalizadas no país.

A partir do nascimento, o bebê que hoje tem um ano e vive na província central de Henan foi alimentado com o leite em pó da indústria Sanlu Group Co., de acordo com reportagem da Cajing, uma revista chinesa de negócios. A matéria informa que o caso foi o primeiro impetrado judicialmente no escândalo da contaminação do leite em pó, iogurte e outros produtos. Quatro crianças já morreram e 54 mil ficaram doentes após beber leite e iogurtes que foram fabricados com o uso da fórmula. Muitas das crianças doentes ficaram com pedras nos rins.

Um dos pais do bebê, indicado apenas com sobrenome Sun, entrou com um pedido de indenização de US$ 22 mil em um tribunal de Zhenping, pedindo compensações à Sanlu por despesas médicas, viagens e outros gastos que os pais tiveram após o bebê ter desenvolvido pedras nos rins. A matéria da revista não dá os nomes completos dos pais e do bebê.

Rica em nitrogênio, a melamina é usada no setor de plásticos e fertilizantes. O componente era usado para fraudar testes de níveis protéicos, permitindo que água fosse acrescentada ao leite, que assim rendia mais. Porém a melamina pode causar pedras nos rins e até matar.

Vários países impuseram restrições ou proibiram os produtos chineses que contêm leite na fórmula. Hoje, a Austrália retirou das prateleiras uma popular linha de biscoitos com chocolate chamada Lotte Koala. Na semana passada, o alimento deixou de ser vendido em Hong Kong e em Macau.

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