A inadimplência do brasileiro hoje é praticamente o dobro da apontada pelos dados do Banco Central (BC), se for excluído o crédito consignado, aquele com desconto na folha de salários e cujo pagamento é líquido e certo. Dados do último Relatório de Crédito divulgado pelo BC apontam que, em maio, as dívidas com pagamento atrasado acima de 90 dias correspondiam a 7,3% do total emprestado pelos brasileiros.

Nas estimativas da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a inadimplência real, que exclui o efeito do consignado, é de 14,1%.

A projeção é conservadora e considera uma inadimplência do crédito consignado da ordem de 2%, no caso de algum imprevisto que impossibilite o desconto da parcela no salário, como morte de quem levantou o empréstimo ou quebra da empresa empregadora, por exemplo. Se for considerado risco zero de falta de pagamento no crédito consignado, o nível de inadimplência do consumidor em geral é bem maior, chega a 16,6%. "O crédito consignado está mascarando o real tamanho da inadimplência do consumidor”, afirma o economista-chefe da ACSP, Marcel Solimeo. Para ele, a relativa estabilidade da inadimplência apontada pelos dados do BC não é resultado do aumento do nível de emprego, mas do efeito do crédito consignado, que responde pela maior parte dos recursos emprestados para pessoas físicas.

Na análise do economista Humberto Veiga, consultor para o sistema financeiro da Câmara dos Deputados, a linha de crédito com a taxa de calote mais elevada hoje é a do cartão de crédito. Em maio, a inadimplência do cartão acima de 90 dias estava em 25,23%, ante 7,3% para a média da pessoa física e 23,5% no mesmo período do ano passado para o cartão de crédito, segundo o BC. "O aumento na inadimplência do cartão de crédito de 8,6% de 2007 para 2008 tem sido compensado pelas outras linhas de crédito”, diz Veiga. Nessas outras linhas, está o efeito do crédito consignado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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