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BRASÍLIA - A disputa política pelo comando da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e seus R$ 5,5 bilhões de orçamento acabou em um acordo entre PTB e PMDB, siglas que brigavam para indicar o sucessor do atual ministro da Agricultura, Wagner Rossi. O novo presidente da estatal será o advogado paraibano Alexandro Magno Aguiar, genro do deputado federal Armando Abílio (PTB-PB). Indicado pela bancada do PTB em consenso com o PMDB, Aguiar era diretor de Administração da Conab.

BRASÍLIA - A disputa política pelo comando da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e seus R$ 5,5 bilhões de orçamento acabou em um acordo entre PTB e PMDB, siglas que brigavam para indicar o sucessor do atual ministro da Agricultura, Wagner Rossi. O novo presidente da estatal será o advogado paraibano Alexandro Magno Aguiar, genro do deputado federal Armando Abílio (PTB-PB). Indicado pela bancada do PTB em consenso com o PMDB, Aguiar era diretor de Administração da Conab. Ele também contou com a ajuda do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) e do ministro do Tribunal de Contas da União, José Múcio Monteiro, membros do grupo que defende a aliança com o PT. Mas enfrentou muita resistência de parcela expressiva do PT, do sindicato dos empregados da estatal e de movimentos sociais como a Via Campesina. As conversas partidárias abriram caminho para uma composição política entre as duas siglas em alguns Estados, como o Paraná. O substituto de Aguiar na Conab será outro pemedebista, Rogério Abdala, que perdeu a disputa pelo Infraero para Murilo Marques Barboza, indicado pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim. O acordo, costurado pelo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também ajudará o PMDB a abocanhar outros cargos na Esplanada dos Ministérios."Existe um acordo com o ministro Padilha", disse o deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR). A nomeação de Aguiar desagradou uma parte expressiva do PT, que defendia o agrônomo Silvio Porto, atual diretor de Política Agrícola da Conab. Com forte apoio de movimentos sociais, CNBB, Consea, Contag, Fetraf e Via Campesina, ele ameaça deixar o cargo."Não me envolvi, mas fiz um apelo ao Silvio e aos demais diretores para que permaneçam. Eles são muito importantes para a Conab", disse o ministro Wagner Rossi. Mesmo com apoio do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, e do ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, Porto ficou novamente na fila. O PT apela para um"sacrifício"em nome da coalização do governo. Mas ele já tinha sido preterido anteriormente, quando Wagner Rossi foi escolhido para comandar a Conab. O novo presidente também derrotou o atual diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Rogério Colombini, apoiado pelo vice-presidente da República, José Alencar (PRB). Colombini preside o partido de Alencar em Minas Gerais e tem ligações com simpatizantes da candidatura de Fernando Pimentel (PT) ao governo estadual. A cobiça pela Conab é explicada pela função estratégica da empresa no setor rural. A estatal opera o amplo programa de subsídios financeiros embutido na política agrícola do governo federal. Na ponta, tem forte contato com produtores rurais e coordena as operações do Fome Zero. O orçamento da estatal beira R$ 5,5 bilhões para 2010. E a lista de nomes apadrinhados por políticos, sobretudo da bancada ruralista, é extensa. O potencial de influenciar e captar votos nas regiões agrícolas é bastante expressivo. Envolvida em diversos escândalos políticos na década de 1990, inclusive desvios de estoques públicos, a Conab foi alvo recente de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O pente-fino do TCU apontou irregularidades ao longo de várias gestões nas áreas de armazenagem e jurídica da estatal. (Mauro Zanatta | Valor)

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