Depois de 21 dias de paralisação, terminou ontem a greve dos funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). A proposta negociada no sábado entre grevistas, a direção da empresa e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, foi aprovada ontem pelos funcionários de São Paulo e mais 15 Estados, além do Distrito Federal, em assembléias em todo o País.

A greve provocou um atraso na entrega de correspondências, e até ontem à noite 130 milhões de cartas, boletos de cobrança e pacotes ainda não tinham chegado aos destinatários.

O secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Fentect), Manoel Cantoara, previu que a entrega será normalizada em 14 dias. A previsão é de que à zero hora desta terça-feira, todos os funcionários tenham voltado ao trabalho. Com o fim da greve, os Correios retomam hoje os serviços de entrega com hora marcada, como Sedex 10, Sedex Hoje e Disque Coleta.

O acordo fechado no sábado estabelece o pagamento definitivo do adicional de periculosidade de 30%, calculado pelo salário integral e não apenas com base nas horas de serviço externo, como queria a empresa. Serão beneficiados os 43 mil carteiros da distribuição e coleta externa. Também está previsto o pagamento de um adicional fixo de R$ 260 mensais para outros 16 mil funcionários, incluindo motoristas, operadores de coleta e atendentes de agências dos Correios.

A empresa cedeu e decidiu, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, suspender o desconto dos dias parados, que serão compensados com banco de horas de trabalho. Também não serão descontados os tíquetes-refeição correspondentes aos 20 dias de greve. Pelo acerto, serão retomadas as discussões entre empresa e funcionários para a elaboração de um plano de cargos e salários.

Os termos do acordo foram apresentados ontem formalmente ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), que vinha intermediando as discussões há duas semanas. A estimativa dos Correios é de que o acerto represente um impacto de R$ 10 milhões mensais no orçamento da empresa.

Desde o início da greve, em 1º de julho, até ontem, foram postadas 450 milhões de correspondências, e 71% delas foram entregues. Neste período, os Correios receberam 10,9 milhões de encomendas e entregaram 97,6% ao destinatário, de acordo com dados da empresa.

São Paulo

De acordo com a assessoria de imprensa da ECT da regional de São Paulo, que engloba as cidades da Região Metropolitana mais Baixada Santista, o volume de correspondências atrasadas só nesta área chega a 18 milhões, entre cartas e encomendas. Ainda segundo a assessoria de imprensa, serão necessários três dias para normalizar as entregas. Cerca de 11% dos trabalhadores da regional, aproximadamente 2,2 mil pessoas, permaneceram em greve no dia de ontem, aguardando a decisão da assembléia. As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Marcos Burghi

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