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Acordo bom não é só de livre comércio, diz secretário

A provável retomada das negociações regionais ou bilaterais - como resposta ao fracasso da Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC) - não deve necessariamente priorizar os acordos de livre comércio. Essa é a avaliação do secretário de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral.

Agência Estado |

Segundo ele, embora haja um "fetiche" pelas áreas de livre comércio, esses acordos muitas vezes não têm grande impacto econômico. "Principalmente no caso do Brasil, um acordo na área fitossanitária pode ter um impacto muito maior para o comércio exterior brasileiro do que um acordo global de livre comércio."

De acordo com o secretário, será preciso escolher, entre uma "miríade de opções", os mercados prioritários para o País. "Simplesmente assinar acordo para ficar no papel ou para criar fato de política internacional não é interessante para o Brasil."

Além da área sanitária, Barral destaca a importância de acordos de cooperação econômica e nas áreas tributária e de harmonização de padrões dos produtos. Segundo ele, as tarifas de importação em geral estão baixas enquanto crescem muito rapidamente as barreiras não tarifárias.

O secretário lembra que outras negociações em curso na OMC, como nas áreas de serviços, regras de origem e fitossanitárias, devem continuar. "A Rodada Doha acabou, mas a OMC não." Ele admite que o fim da Rodada deve levar ao aumento das negociações de acordos regionais e bilaterais e também das disputas comerciais no organismo multilateral.

"Vários esforços de abertura de mercado, de acesso a mercados que estavam na OMC vão ser direcionados naturalmente pelo governo brasileiro para acordos bilaterais que não necessariamente são de livre comércio", disse Barral.

Ampliar acordos

O Brasil pode tentar ampliar acordos já assinados com o Chile, México e Peru, e retomar negociações que estavam paradas esperando o resultado da Rodada Doha. É o caso das negociações entre o Mercosul e a União Européia. Com os Estados Unidos, o secretário acredita que será necessário aguardar o anúncio da política comercial do sucessor de George W. Bush para avaliar as chances de um acordo.

Mas Barral aposta no relançamento de outra rodada de negociações multilaterais em 2009. Segundo ele, temas como a retirada de subsídios agrícolas só podem ser tratados em negociações globais. "Os países vão ter que voltar a negociar", previu. O secretário avalia que o fracasso de Doha é uma perda para o mundo. "Com a ameaça de recessão no mundo, era importante uma sinalização, por menor que fosse, em favor da liberalização de mercados."

Barral elogiou a atuação do chanceler Celso Amorim em Genebra, de flexibilizar algumas posições para tentar um acordo mínimo. "O Brasil tentou negociar coerentemente com o risco de recessão que temos."

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