LONDRES (Reuters) - As ações européias fecharam em queda nesta sexta-feira, à medida que os mercados permanecem sob estresse e os temores sobre a liquidez crescem, enquanto aumenta a pressão em torno dos parlamentares norte-americanos para aprovar o plano de resgate de 700 bilhões de dólares ao setor financeiro. O índice FTSEurofirst 300 caiu 1,83 por cento, para 1.104 pontos, com as ações de bancos representando as maiores perdas do índice e as de mineradoras seguindo a queda acentuada dos preços dos metais.

Os papéis do banco Fortis despencaram cerca de 20 por cento, apesar de a instituição ter negado estar enfrentando uma crise de liquidez e se empenhado em apressar a venda de ativos. As ações do concessor de empréstimos alemão Hypo Real Estate caíram 9,8 por cento.

As ações do Royal Bank of Scotland, Credit Suisse e Credit Agricole perderam de em torno de 6 por cento. As do Deutsche Bank e do Societe Generale, que não quiseram comentar os boatos do mercado sobre um interesse no Fortis, também foram negociadas em queda.

Mas os ativos do BNP Paribas, alvo de especulação devido à possibilidade de realizar uma oferta pelo Fortis, subiram 1,6 por cento, à medida que rumores de outras partes interessadas diminuíram.

"Os problemas de liquidez estão mais predominantes que nunca", disse Bernard McAlinden, estrategista no NCB Stockbrokers.

"A crise de confiança é tão severa que qualquer banco que tiver problemas com financiamento ou alavancagem, independentemente da qualidade dos ativos, está extraordinariamente vulnerável ao ambiente monetário", disse.

As ações da Rio Tinto e BHP Billiton caíram 6 e 5 por cento respectivamente, e os papéis de energia enfraqueceram por toda Europa, à medida que o petróleo recuava quase 3 dólares. BP, Royal Dutch Shell e Total fecharam em queda.

Mas os investidores estão fortemente focados no plano de ajuda dos Estados Unidos.

O presidente George W. Bush disse que o Congresso vai aprovar a lei, embora ainda existam desentendimentos sobre alguns aspectos do plano.

"Eu ficaria surpreso e chocado se um acordo não sair disso --há pessoas o suficiente lá para fazer os políticos saberem claramente que tipo de acordo não vai engolido pelo mercado", disse McAlinden.

O cenário econômico continua pessimista, após o governo norte-americano ter fechado o banco Washington Mutual na quinta-feira.

Além disso, nesta manhã dados mostraram que a economia norte-americana desacelerou mais que o previsto durante o segundo trimestre, à medida que o consumo se reduziu vigorosamente e os investimentos empresariais caíram, um sinal de que a confiança estava se reduzindo antes de começar a turbulência do mercado.

Em LONDRES, o índice Financial Times fechou em queda de 2,09 por cento, a 5.088 pontos.

Em FRANKFURT, o índice DAX recuou 1,77 por cento, para 6.063 pontos.

Em PARIS, o índice CAC-40 desvalorizou-se em 1,5 por cento, para 4.163 pontos.

Em MILÃO, o índice Mibtel encerrou em baixa de 1,50 por cento, a 20.598 pontos.

Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou recuo de 0,44 por cento, para 11.387 pontos.

Em LISBOA, o índice PSI20 teve baixa de 0,55 por cento, para 8.190 pontos.

(Reportagem de Sitaraman Shankar)

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